www.aeel.org.br home | fale conosco
 

Estatuto
Ficha de Inscrição
Informes AEEL
Informes Unergia
Acordos
Normas Eletrobras ACT
Você!
Saúde e Vida
Eventos
Galeria de Imagens
Jogos
Notícias
Processos Judiciais
Sistema Eletrobrás
Eletros
Link's Úteis
Balanço
Fale com a Aeel
Como Votar?
Eleições 2017


 

ÁREA RESTRITA

Para ter acesso ao sistema preencha os campos baixo:





 

 

Esqueci a senha

 


  Notícias
  Série de entrevistas da FOLHA com os oito postulantes ao governo do Paraná traz hoje o candidato do PSDB, Beto Richa


FOLHA - Uma das análises feitas em relação às manifestações populares do ano passado discorria sobre a crise de representatividade - o político estaria distante da população. Os protestos também indicaram que as eleições deste ano seriam pautadas por um sentimento de mudança. No Paraná, os três principais candidatos ao governo, porém, são o senhor, que já é governador, o senador Roberto Requião, que busca um quarto mandato, e a senadora Gleisi Hoffmann, ministra da Casa Civil durante a maior parte do governo da presidente Dilma Rousseff. Não falta renovação na política paranaense?

Beto Eu acho que é mais do que uma renovação de nomes. É de novas ideias e novas posturas da classe política. As manifestações de junho do ano passado cobram mais isso; uma nova postura da classe política: respeito, zelo na aplicação dos recursos. Ali foi como uma panela de pressão, eu costumo dizer, que explodiu. Vinha acumulando insatisfações, insatisfações, insatisfações. Abusaram da paciência do povo. Corrupção, corrupção, obras superfaturadas, desvio de conduta, líderes deste governo, deste partido que está no governo, foram presos. É sanguessugas, mensalão, obras superfaturadas. Veio se acumulando essa insatisfação e estourou; acabou se estendendo para todos os políticos, em especial os que têm mandato. Ai do político que não entendeu o recado que veio das ruas. A gente entende. Cada vez mais nova postura, mais transparência das administrações públicas, mais proximidade com as pessoas, sintonia com os anseios. Deram o recado. As coisas mudaram, o povo está mais consciente e a sociedade está mais vigilante em relação aos políticos.


FOLHA - Que resposta o seu governo, especificamente, deu a esse movimento que surgiu das ruas?

Beto Uma postura de transparência. Ampliamos os canais de comunicação com a população, internet, o Portal da Transparência foi aprimorado. Veja outro detalhe: cobraram nas ruas, as manifestações todas, redução da tarifa de ônibus. Eu fui o único governador que antes das manifestações tinha reduzido a passagem de ônibus aqui, das linhas que estão sob gestão do Estado. E as municipais das principais cidades eu reduzi, isentei o ICMS sobre o óleo diesel. Para Curitiba, que tem um sistema maior 16 municípios integrados ainda demos, para manter a integração, o subsídio. Uma das fortes reivindicações nas manifestações foi tarifa de ônibus. A população quer satisfação, quer prestação de contas. E isso eu tenho feito seguidamente. Eu sempre fui um político acessível, que respeita as pessoas, que ouve para formar o juízo. Eu fiz na Prefeitura (de Curitiba), inovei com as audiências públicas, e agora no Estado atendo a todos, atendo as entidades, instituições, percorri os 399 municípios, fui o primeiro governador a fazer isso. A gente já tinha esse estilo e nós aprimoramos.


FOLHA - Na campanha de 2010, o senhor disse que considerava o tamanho do Estado exagerado. Hoje, segundo o site do próprio governo, são 27 secretarias embora o senhor fale em 19, por considerar as maiores. Qual a sua avaliação sobre essa situação?

Beto - O Deonilson (Roldo, chefe de gabinete), que está na sala aqui ao lado, é considerado secretário. E ele tem a salinha dele, nem secretária tem. A secretária fica lá na frente. Não pode ser considerada como uma secretaria de chefe de gabinete.


FOLHA Mas são 27 instituições denominadas de secretarias, e consequentemente administradas por 27 secretários, certo?

Beto - Mais importante do que o número é o que elas gastam. Acho que isso é o que a população está interessada. Mas pode concluir.


FOLHA O senhor considera esse tamanho da máquina adequado? Ou ainda acredita que alguma estrutura possa ser cortada?

Beto Dezenove secretarias eu acho adequado, mas vou enxugar ainda mais. Há cerca de um ano eu reduzi o número de secretarias, eliminei mil cargos em comissão tanto é que o IBGE fez um diagnóstico recentemente, em maio, apontando que o Paraná tem o menor número de cargos em comissão do Brasil, com a eliminação dos mil cargos que eu fiz no ano passado. Secretarias são 19, já enxuguei algumas e fundi, e no próximo governo mais umas três secretarias serão fundidas, eliminando estruturas, que é isso o que importa para a população: o que se gasta com a máquina pública. São duas, são três, são 20... O que importa é quanto custa e, aqui, desde que eu assumi o governo, é um trabalho permanente. Eu assumi o governo determinando aos meus secretários a redução de pelo menos 15% nos gastos de custeio. Eles superaram as minhas determinações e chegaram a 19% de redução, o que significou uma economia de R$ 70 milhões. No outro ano, pedi mais uma redução de custeio. Por quê? Cada vez mais nós queremos gastar menos com o governo, para investir mais nas pessoas. É mais dinheiro que sobra para investimento em obras, é mais investimento que sobra para melhorar a qualidade dos serviços públicos. Isso nós temos conseguido ao longo de todo o mandato, até porque herdei o Estado quebrado, me deixaram dívidas de R$ 4,5 bilhões, boicote do governo federal aos empréstimos do Paraná. Então tudo isso me dificultou a vida. Mesmo assim, acho que os paranaenses podem se considerar vencedores, porque em todas as áreas os avanços foram expressivos, reconhecidos nacionalmente, por entidades, instituições, veículos de comunicação nacionais e até internacionais, recentemente.


FOLHA O senhor citou os casos de corrupção envolvendo o partido à frente do governo federal. Para o seu secretariado, contudo, foram nomeadas duas pessoas relacionadas a escândalos recentes: o Cassio Taniguchi (Planejamento), condenado pelo Supremo Tribunal Federal por crime de responsabilidade, e o Ezequias Moreira (Cerimonial e Relações Internacionais), cuja sogra foi funcionária fantasma da Assembleia Legislativa do Paraná por 11 anos.

Beto - Esse caso do Ezequias rende, hein? Meu Deus do céu... Eu não tenho nenhum escândalo no meu governo e é a única coisa que todo mundo pega há quatro anos. Não, há sete anos...


FOLHA Mas considerando esse histórico, a nomeação dessas pessoas não é um problema, e não transfere, de alguma forma, a responsabilidade ao senhor?

Beto - Não. Eu, importante antes de mais nada dizer, implantei a Ficha Limpa no Paraná. Aprovamos na Assembleia. É lei. E os dois não se enquadram nessa situação. Eu já falei, claramente, em uma entrevista nacional, que se o Ezequias, tendo seu julgamento, for condenado, ele está desligado do meu governo, automaticamente. Eu não discuto sentença judicial. Determinação da Justiça a gente cumpre. Não tem a menor dificuldade. Ele está comigo há muito tempo, nunca fez nenhuma maracutaia, me conhece e sabe que eu não admito, não permito. O problema dele é um caso com a administração da Assembleia, antes de eu entrar na Assembleia Legislativa. Não tem um vínculo sequer comigo. É uma situação da qual ele está se explicando na Justiça. Se ele for condenado, aí ele está desligado do governo. A própria Lei da Ficha Limpa determina isso.


FOLHA - A nomeação dele ocorreu na véspera do julgamento, o que o transformou num político com foro privilegiado na ação criminal. Como o senhor justifica essa interferência? Não foi uma manobra para adiar o julgamento?

Beto Não foi, não foi. Está para ser julgado. Muitos políticos, hoje, ao contrário: querem voltar para a primeira instância, sair do foro privilegiado, para ter mais condição de se defender em outras instâncias, até chegar lá em cima. Hoje muitos querem voltar, perder o foro privilegiado. E o processo inclusive fica mais longo. Eu não posso julgar se a juíza ia condená-lo ou não, não posso prever se ele será condenado aqui no Tribunal de Justiça.


FOLHA O senhor falou que se o Ezequias for condenado, será desligado do seu governo. O Cassio Taniguchi, porém, chegou a ser condenado por crime de responsabilidade. Só não cumpriu pena porque o crime prescreveu. O senhor não vê problemas em mantê-lo na administração?

Beto Perante à lei ele está livre para exercer o cargo.


FOLHA E perante à população, já que ele só não foi responsabilizado efetivamente porque o crime prescreveu?

Beto Perante à lei ele está isento. E me ajuda muito na parte técnica, no planejamento do Estado. É eminentemente técnico o cargo dele. E eu acho que ele tem sido útil para o Estado. Já demonstrou capacidade administrativa em vários cargos que ocupou. O Cassio tinha convite de vários Estados do Brasil, para ajudar nessa área técnica, nessa área de planejamento. Eu achei que ele seria importante para o Estado. Tem sido. Tem sido comprovado. Foi um grande prefeito de Curitiba, como secretário de planejamento já em governos atrás, com grande desempenho.


FOLHA Em relação à tarifa de energia elétrica, governador: houve recentemente um pedido de reajuste de 32,4%, a Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) autorizou 35,05%, o senhor se disse surpreso e pediu uma revisão. Em seguida, o aumento confirmado foi de 24,8%. Primeiro: esse reajuste abaixo do que o governo tinha dito ser necessário anteriormente não compromete as contas da Copel (Companhia Paranaense de Energia Elétrica)? Segundo: 24,8% para a população não é um índice muito alto, considerando que está bem acima da inflação? E terceiro: iremos herdar 11% para o ano que vem?

Beto - Veja só: essa situação é facilmente comprovável. Todos os veículos de comunicação, pelo menos os de circulação nacional, trouxeram matérias dias e dias a fio. Se pegar o Estadão, a Folha de S.Paulo e a Veja, houve matérias e mais matérias, páginas, a respeito da má gestão do setor elétrico no Brasil, inclusive com depoimentos de especialistas, mostrando que a má gestão culminou com o aumento exagerado na conta de luz no Brasil inteiro. O que acontece? As regras da Aneel exigem que todas as companhias de energia estatais ou privadas encaminhem todos os seus investimentos e todos os seus gastos ao longo do ano. Lá é julgado, no conselho da Aneel, se os valores batem, os investimentos realizados. E a Aneel sugere um reajuste de energia para que a companhia não tenha prejuízo, para que a distribuidora não tenha prejuízo, e os gastos sejam repassados aos consumidores. É exatamente isso que acontece. E por que está tão alto no Brasil inteiro? Está tão alto por essa má gestão. Pegamos um grande período de estiagem, falta de investimento em hidrelétricas, o governo federal acionou as térmicas, que são altamente poluidoras, e com custo de energia caríssimo, e isso tudo culminou com essa situação, todo esse reajuste. Bom, foi sugerido pela Aneel 35% ou 36%, não me recordo, mas é isso. E eu pedi à Copel que suspendesse qualquer anúncio de reajuste nesses patamares. Fiquei duas semanas aí pensando no que fazer, reunido com a diretoria da Copel, para imaginar o que ia fazer. Por um lado, eu não posso onerar tanto os consumidores, que não suportam um aumento exagerado. Por outro lado, se eu não der reajuste, eu quebro a Copel, uma companhia que é orgulho dos paranaenses e no meu governo foi fortalecida, que investe e contribui para o desenvolvimento do Estado do Paraná. Então eu busquei um ponto de equilíbrio, que foi 24%. É o mínimo, mínimo que eu possa dar e que não comprometa a Copel. Aí chegamos a esse número. Menos do que isso estaria em maus lençóis a Copel, inclusive correndo risco, porque no ano que vem nós temos a renovação da distribuidora, da concessão, e se ficar no vermelho eles caçam a concessão, a Aneel. Deste reajuste todo, para você ter uma ideia, 1,6% é custo Copel, 1,6%. O resto todo é custo do sistema nacional. Se a energia que nós produzimos aqui, que é abundante, é em excesso, o Paraná é um grande produtor de energia do Brasil, se fosse consumida aqui, nós teríamos a energia mais barata talvez do mundo. Só que nós somos obrigados a jogar no sistema nacional, vai para o País inteiro. Nós temos que recomprar a energia. E quem promove os leilões? O governo federal. Quem que fixa o valor dos leilões? O governo federal, a custos altíssimos. Então é por isso que encareceu a conta de luz no Brasil inteiro. Agora, obviamente, estamos no período eleitoral. Os meus adversários de forma maldosa, porque sabem como é que funciona, querem gerar um desgaste político. Mas está mais do que explicado, quem lê jornal sabe que a conta está cara no País inteiro.


FOLHA No ano passado o senhor também concedeu um reajuste menor do que o autorizado... (interrompeu)

Beto Também.


FOLHA - Foi logo depois dos protestos. Isso não resultou... (interrompeu)

Beto Foi deferido para o ano que vem. E respondendo agora completamente a sua pergunta, no ano que vem a gente espera que mude o governo (federal) e possa haver um novo entendimento, mais competência na gestão do setor elétrico. E quem sabe a gente não precise dar esse aumento no ano que vem. Eu estou muito confiante em relação a isso, não onerar mais a população.


FOLHA A Aneel ameaçou interferir na Copel em função de gastos excessivos com pessoal, material, serviços de terceiros e outros. Seus adversários também têm explorado o assunto, afirmando que o comprometimento da folha de pagamento das estatais ultrapassou o aceitável. Como o senhor analisa essa questão?

Beto Não é verdade. Nós enxugamos. Acho que hoje tem menos funcionários na Copel do que no período anterior. Consegui vários direitos de resposta em relação a isso. Estão o tempo todo tentando confundir a opinião pública. Importante também que a Copel no meu período de governo, quatro anos, investiu R$ 8 bilhões. Nos oito anos anteriores, foram investidos R$ 4 bilhões. Não tem parâmetros para comparar. Os investimentos da Copel hoje representam quatro vezes mais do que foi investido no governo anterior, por ano. Hoje é uma companhia que acabou de receber mais uma premiação todo ano da Abradee (Associação Brasileira de Distribuidores de Energia Elétrica). Prêmio na qualidade dos serviços prestados. Oito anos anteriores: nenhum prêmio. Ao contrário: multas e multas da Aneel, até preciso ver os valores, quantos milhões. Multa em cima de multa, por não cumprimento de metas e procedimentos da Aneel. Era uma bagunça. E hoje nós modernizamos a empresa, estruturamos, a empresa presta grandes serviços, é lucrativa. Estão aí os investimentos que comprovam. E a Sanepar (Companhia de Saneamento do Paraná) é a mesma coisa: tentaram dizer que eu ia privatizar, esses que me acusaram de privatização quebraram as empresas. A Eletrobras, com a má gestão do governo federal, acumula um prejuízo de R$ 50 bilhões. A Petrobras R$ 200 bilhões. Se eu fosse represar e não dar o aumento, eu ia fazer com a Copel o que eles fizeram com a Petrobras: represando em ano de eleição o reajuste do combustível, e gerando todo esse prejuízo, que todos nós brasileiros vamos pagar, pela má gestão. A vergonha para nós é que está na mídia mundial que a Petrobras é a empresa não financeira mais endividada do mundo. Eu tenho responsabilidade de governador sério, ético, que se preocupa com o seu Estado, muito mais do que a questão eleitoral. Eu podia represar o aumento todo e não ter nenhum desgaste eleitoral. Mas eu estou pensando no interesse do Paraná e de todos os paranaenses, e preservar uma companhia que ajuda tanto no desenvolvimento do Estado, e é, segundo as entidades aí, pelas premiações que recebe, a melhor companhia do País.


FOLHA - Os adversários do senhor dizem que a atual gestão não possui nenhum grande programa ou grande obra. O que o senhor acredita que fez de mais significativo nesses quatro anos e que pretende deixar como marca da sua administração?

Beto Você pode perguntar para qualquer município do Paraná, aos prefeitos, qual foi o período que teve mais obras nas suas cidades; mesmo os do PT. Na minha administração tem prefeito que chega a dizer que todos os governos anteriores não investiram tanto no seu município quanto o nosso área de saúde, unidade de saúde, asfalto, recurso a fundo perdido, pedras irregulares, calçamento ligando por distrito, as patrulhas do campo que já readequaram 2.500 quilômetros de estradas, as escolas, 2000 obras em escolas. O governo anterior investia R$ 2 milhões em agricultura familiar, alimentos para merenda. Nós investimos hoje R$ 46 milhões, 20 e poucas vezes a mais. Transporte escolar: os prefeitos recebiam R$ 27 milhões por ano. Repassamos hoje R$ 92 milhões, quase quatro vezes mais. O programa de calcário não existia; reativamos. Maior industrialização da história. As cooperativas nunca foram tão apoiadas como no nosso governo. O prefeito tinha que pagar convênio com a Emater (Instituto Paranaense de Assistência Técnica e Extensão Rural), para ter apoio técnico aos produtores. Isentamos todos os prefeitos do Paraná - é obrigação nossa - e inclusive contratamos mais 400 técnicos para a Emater. Implantamos a Defensoria Pública o Paraná era o único Estado do Brasil, ao lado de Santa Catarina, que não tinha Defensoria. Nós implantamos. Tem um custo isso. Adapar (Agência de Defesa Agropecuária), está implantada. Hoje o Paraná já tem quatro frigoríferos importando carne bovina para a Rússia. Eu estive lá negociando com os técnicos da Rússia na embaixada brasileira, uma reunião de três horas em novembro do ano passado. Veja em Londrina: a maior obra da história de Londrina, 100% o governo está fazendo lá, a duplicação da 445. Dezessete quilômetros, 15 viadutos e trincheiras. A maior obra que pediram em Foz, está lá: o viaduto da Avenida Paraná. E hoje temos nesses quatro anos 250 quilômetros duplicados.


FOLHA Pretende retomar o "Tudo Aqui" num eventual mandato?

Beto Vou fazer. Vou fazer. Deu certo em todo lugar. Por que aqui não daria? Então, esse não foi feito. Mas não por falta de empenho meu, do meu governo, por questões externas. Mas vai ser feito. Agora, as metas eu persegui o tempo todo o cumprimento. Registro e nos próximos dias estarei registrando de novo em cartório meu plano de governo. Eu não faço política com demagogia, como boa parte da classe política faz. Em campanha prometem tudo, na ânsia de conquistar o voto do eleitor a qualquer custo. Eu não faço campanha como se fosse a última da minha vida. Eu quero poder voltar às cidades, reencontrar as pessoas olhando nos olhos delas, sabendo que eu não as enganei, que eu não prometi coisa que eu não pudesse cumprir. Mas por que às vezes você não consegue atingir 100%? Porque eu faço um governo democrático, um governo próximo das pessoas. Eu converso demais, fui em 399 municípios, ouço as pessoas, para formar o nosso juízo. E muitas vezes as pessoas me apresentaram uma prioridade que não era aquela que eu tinha apresentado. E eu não tenho dificuldade em mudar o rumo da proposta, promover ajuste, ou mudar o rumo da proposta por inteiro, porque o governo está aqui para representar os interesses da população.


FOLHA - No seu plano de governo de 2010, protocolado junto ao TRE, o senhor disse que todos os gastos do governo teriam que observar "o preceito da máxima economia dos recursos públicos" e que a sua gestão teria como termômetro de seu desempenho o total controle sobre os gastos públicos. Também estavam no documento "diminuir as despesas correntes, reequacionar a dívida pública e aumentar a capacidade de investimento do Estado". O senhor acredita que esses objetivos foram alcançados?

Beto Foram. Pode ser não integralmente, porque não imaginava que ia pegar um Estado tão desmantelado, tão desestruturado como eu peguei. Tinha sala de aula que não tinha professor. Eu contratei 17 mil professores. Olha só, 17 mil, 60% de aumento no salário deles, 50% de ampliação, ampliação da hora-atividade... Antes tinham entrado com uma Adin (Ação Direta de Inconstitucionalidade) contra o piso nacional e contra a hora-atividade. Contratei dez mil policiais. Eu assumi o Estado com o menor efetivo de policiais militares per capita do Brasil, dez mil policiais. Bons salários. No concurso que eu fiz para a PM, é bom dar testemunhos, provas, há dois anos, tivemos 126 mil inscritos. É o maior concurso, com maior número de candidatos da história do Paraná, atraídos pelo bom salário que eu ofereço. Vieram pessoas do Brasil inteiro prestar concurso aqui. Então eu tive que reestruturar o Estado. Isso custa. Como é que eu vou deixar o Estado sem policial? E o resultado está aí. Redução de 21%, em média, nos homicídios no Paraná. Londrina teve das maiores reduções de homicídios, até auxiliada lá pelo helicóptero que eu mandei para Londrina. O diagnóstico que eu li três domingos atrás, no jornal O Globo, foi que nos três principais Estados do Brasil a criminalidade aumentou. Aqui nós reduzimos. E mais uma prova, se você acessar na Internet o site da Folha (de S.Paulo), o UOL, você vai ver lá que o Paraná é dos Estados do Brasil que mais reduziu a dívida, dívida consolidada, de anos anteriores. Segundo está ali na Folha/UOL, nós saímos de 89% de comprometimento da dívida com a receita, de 89%, caiu para 55%. Isso representa um pagamento dessa dívida, amortização, de R$ 4,1 bilhões. Em muitos Estados aumentou a dívida. Nós reduzimos. Com todos os investimentos que fizemos, ainda pagamos contas.


FOLHA - Estouro do limite de gasto com pessoal (imposto pela Lei de Responsabilidade Fiscal) e atraso no pagamento de fornecedores, porém, são fatos admitidos pela sua gestão. O governo estadual falhou neste ponto?

Beto Tivemos. Não tenho dificuldade de admitir alguns fatos até negativos que aconteceram, alheios à minha vontade, porque peguei o Estado nesta condição, porque tivemos um forte bloqueio, discriminação em relação ao Paraná, pelo governo federal. Santa Catarina, por exemplo, negociou eu digo negociou porque ainda não recebeu tudo R$ 12 bilhões de empréstimos federais. E Santa Catarina tem a metade da nossa população. Olha que crime eles fizeram com o Paraná... Fosse o mesmo tratamento não precisa ser melhor nós teríamos R$ 24 bilhões de empréstimos. Lutei que nem louco para ter a liberação de R$ 800 milhões. Tive que, foram dois anos de diálogo até perceber que estava sendo embarrigado, né, empurrado com a barriga. Aí eu recorri ao Supremo Tribunal Federal, que deu todas as liminares a favor do Paraná, fazendo justiça. A penúltima imputava multa diária de R$ 500 mil. Mesmo assim não acataram. Aí, orientados pela Procuradoria-Geral do Estado, pedimos a prisão do responsável. Em dois dias saiu o dinheiro. Tudo isso causou dificuldades ao Estado. Falta de ajuda federal e até, vocês vão entrevistar a minha adversária, eu vejo que todo dia ela muda a desculpa. "Ah, falta certidão". "Não, o Estado está com a saúde financeira comprometida". "Não sei o quê". Enquanto vários diagnósticos de veículos de comunicação nacional mostrando a saúde financeira do Estado... Nós sempre estivemos entre os primeiros Estados do Brasil, e todos os Estados receberam. Então além de tudo querem menosprezar a inteligência nossa. O brasileiro menos informado sabe que o Paraná não tem a pior situação do País. Então não cola. Agora já é outra desculpa. Uma hora é limite prudencial, outra hora é problema fiscal, outra hora é problema de certidões, é problema de dívidas. Agora já é outro problema. Oitocentos milhões é muito pouco para eu ficar reclamando. Mas até por ser muito pouco mostra que houve extrema má vontade deles com o Paraná.


FOLHA - Mas empréstimos do tipo são concedidos a programas e projetos, a investimentos em geral. Esse problema justifica o estouro com o limite prudencial, nos gastos com pessoal, e o atraso nas dívidas com fornecedores?

Beto Mas, gente, as obras estão em andamento. A 445 em Londrina, os recursos estavam previstos no Proinveste (Programa de Apoio ao Investimento dos Estados e Distrito Federal), e você sabe que temos lá em torno de 60% das obras realizadas. Custou. Era dinheiro do empréstimo. Eu tive que tirar dinheiro do Estado. A Avenida Paraná, em Foz do Iguaçu, estava elencada no Proinveste. Eu tive que tirar dinheiro do Estado. A Rodovia da Uva, aqui em Colombo, estou tirando dinheiro do Estado. Estava no Proinveste, liberaram agora o dinheiro para mim. As obras não pararam. Em alguns momentos, confesso, eu reduzi o ritmo das obras, por causa dos recursos que não vinham. Eu contando que os recursos viriam, que eu não teria essa discriminação, é natural, fui fazendo as obras. São obras urgentes, todas essas que eu estou falando. Duplicação de Maringá a Paiçandu, uma bela duma obra, uma obra belíssima. Isso tudo gerou dificuldades. E o limite prudencial de gastos, eu volto a insistir, 17 mil professores, dez mil policiais, criamos a Defensoria Pública que não existia, aumentamos o quadro da Emater, que estava precaríssimo todos os produtores rurais reclamando da falta de técnicos, e a agricultura é a base da nossa economia Adapar que eu criei Paraná voltou a exportar carnes tudo isso gerou dificuldades. E outra coisa, gente: que é muito fácil de se entender. O limite prudencial nada mais é do que o comprometimento da folha em relação à receita. Se a receita caiu, aumenta o percentual de comprometimento. E eu não posso nem demitir. São concursados. Eles têm estabilidade. Foi isso que aconteceu: a situação se agravou pela redução da receita. E hoje todas as administrações estão cada vez mais concentrando recursos. É extravagante a concentração em Brasília. Eles querem Estados e municípios fragilizados, de pires na mão, dependentes do poder central. É o que está acontecendo hoje. Então, eu não passei do limite prudencial. Eu entrei no limite prudencial. É uma luz amarela, onde o Tribunal avisa as administrações, pela Lei de Responsabilidade Fiscal: "Olha, você está no limite. Você não pode mais contratar ninguém". Foi só o que aconteceu. Mas não é por má gestão, não é por desvio de dinheiro, não é por corrupção. É por fazer o melhor pelo Estado e reestruturar o Estado para bem servir a população. Não passamos do limite. Entramos e já saímos.


FOLHA O senhor citou a questão da Defensoria Pública. O Paraná foi o penúltimo Estado a implementar o órgão. E, apesar da realização do concurso público, ainda há muitos profissionais aguardando nomeação. Além disso, recentemente houve o veto, mantido pela Assembleia Legislativa, de um artigo da Lei de Diretrizes Orçamentárias, que deixa a entidade sem orçamento, ao menos garantido no papel, para o ano que vem. Qual a sua análise da situação da entidade, hoje?


Beto O orçamento da Defensoria é R$ 47 milhões. Querem R$ 180 milhões? Nós não estamos na Suíça. Não tem esse dinheiro. Vetei mesmo. Não tem nem de onde tirar R$ 180 milhões para a Defensoria, nesse momento. Criamos a estrutura e vamos avançando com o tempo, até porque as receitas, como eu disse há pouco, no Brasil inteiro caíram. E pelas análises que nós temos visto aí de especialistas econômicos, de agências de risco, a tendência é piorar. Nós temos que nos preparar para uma situação pior, inclusive no ano que vem inflação, todas essas tarifas que estão represadas por causa do período eleitoral, tarifas federais que devem ser reajustadas no ano que vem, inflação, diminuição de atividade econômica... Então não tem como dar um orçamento nesse porte que eles querem. Eu vetei.


FOLHA - Uma das primeiras decisões do seu mandato foi suspender o trâmite das ações contra as concessionárias de rodovias em nome de uma reabertura no diálogo entre Estado e empresas. Na época, se falou na busca por obras e até por uma redução na tarifa do pedágio. Quase quatro anos depois, não há sinalização qualquer de redução dos preços e há possibilidade de criação de novos pedágios em alguns trechos. Que avaliação que o senhor faz do resultado da negociação com as empresas? E houve aditivo contratual não publicado, dos contratos de pedágio, conforme aponta o Ministério Público Federal?

Beto Nenhum. Tudo é com a maior transparência. Várias entidades de setores produtivos do Paraná vieram aqui pedir explicações e eu abri tudo para eles. Disse "podem ver, vou pedir aqui as explicações do secretário, do diretor-geral do DER (Departamento de Estradas e Rodagem), explicar tudo para vocês, mostrar as planilhas, mostrar os contratos, e vocês fiquem à vontade para perguntar o que quiserem". Os contratos não fui eu que fiz. Foram dois governos atrás. E o anterior prometeu em campanha foi um grande estelionato eleitoral, aliás, mais um, além do Ferreirinha que se fosse eleito ia baixar ou acabar com o pedágio no Paraná. Nem uma coisa nem outra. No período anterior, o pedágio dobrou a tarifa, no período anterior foi implantada mais uma praça na Lapa, e nenhuma obra, nenhum investimento aconteceu. Então foi uma enganação. E eu falei em campanha, fiz um discurso diferente dos meus adversários. Na campanha despolitizei o assunto, para tratá-lo com a responsabilidade que merece. Criamos a Agepar, a Agência Reguladora do Estado. E o que aconteceu? O resultado está aí: retomamos obras neste Anel de Integração em praticamente todas as regiões do Paraná. E mais uma vez o ex-governador mente, descaradamente, mais uma vez, é useiro e vezeiro em mentir, que eu tinha retirado as ações dos pedágios. Todas estão tramitando. Não retirei nenhuma.


FOLHA Mas suspendeu por seis meses no início do governo...

Beto - Sim. Para negociação. E retomamos. Não tirei nenhuma.


FOLHA E por que a tarifa não baixou?

Beto Eu não disse que ia baixar. Eu disse que ia me esforçar para tentar reduzir a tarifa do pedágio. Não consegui. Mas nunca enganei, não afirmei na campanha que ia baixar a qualquer custo. Ia me esforçar para baixar, ia chamar as concessionárias para uma conversa, fazendo prevalecer o interesse público. Agora, nas novas obras que foram realizadas, e não são poucas, de duplicação citei todas, eu acho: a Rodovia do Café está em obras, estive agora em Apucarana, belíssima obra Apucarana-Mandaguari, inauguramos agora, há cerca de dois meses, o contorno rodoviário de Campo Largo, na chegada à capital, Medianeira-Matelândia, agora o esforço, a negociação para levar até Cascavel e de Cascavel, do trevo Cataratas, em direção ao trevo São João, Rodovia do Café, uma bela obra que está em andamento, execução, duplicação Floresta até Campo Mourão, e as outras é PPP, lá no Noroeste, a 323, de Maringá até Francisco Alves, e para o próximo governo também vai ficar a duplicação de Jaguariaíva até Santo Antônio da Platina, em negociação com a concessionária ligar até Ourinhos, divisa com o Estado de São Paulo. Então, são muitas obras. E a retomada dos investimentos aconteceu. Segundo a própria pesquisa de um jornal de Curitiba, a população estava mais preocupada com a retomada das obras do que com a tarifa. Um percentual muito maior. Não que não estejam preocupados com a tarifa, que eu concordo, é caríssima a tarifa praticada no Estado do Paraná. Agora eu pergunto a vocês: imagina se o Marcelo Almeida fosse o meu candidato a senador, o que eu não estava ouvindo hoje, o maior dono de pedágio do Brasil?


FOLHA - No seu plano de governo deste ano, o senhor deixa claro que continuará investindo em Parcerias Público-Privadas (PPPs) e que definirá prioridades para a implantação de uma rede integrada de logística abrangendo todos os modais no Estado, num horizonte mínimo de 10 anos. O senhor acredita que esse é mesmo o melhor modelo?

Beto Hoje, comprovadamente, o maior gargalo crítico no Brasil, que atravanca o desenvolvimento, é a falta de investimento em infraestrutura de transporte e de logística. Para cuidar do futuro do Paraná, para que o Estado esteja em melhores condições para atrair investimentos porque hoje nós vivemos o maior ciclo industrial da nossa história e 75% dos novos investimentos do nosso governo através do Paraná Competitivo estão localizados em municípios do interior. Estradas, logística, são fundamentais para esse investimento rigoroso de forma homogênea em todo o Estado do Paraná. As grandes obras de infraestrutura, que são vitais, são estratégicas para o desenvolvimento de um Estado, uma região, são caríssimas, e todos hoje estão lançando mão da Parceria Público-Privada. São investimentos privados para conseguir atender à demanda de uma população. O próprio governo federal, que tanto criticava as concessões, as parcerias, hoje usa e abusa deste modelo. Só para dar um exemplo: nós fomos tão zelosos, e posso dizer competentes, na elaboração dessas parcerias, que a maior reivindicação que eu recebi, quando eu assumi o governo, foi lá no Noroeste, a duplicação da 323. Sobrecarregada, acidentes quase que diários, vítimas fatais... Me pediram que adotasse o modelo que fosse, mas eles queriam discutir. E nós discutimos, de forma transparente, democrática, com a população de todo o Noroeste. Fizemos duas audiências públicas, e não tem obrigação legal de fazer. Duas audiências públicas para a elaboração do projeto. E depois de concluído, conversamos de novo. Não tivemos um problema. Até os adversários, os petistas, que criticavam o tempo todo a sistemática, não tiveram coragem de se contrapor na audiência pública à proposta do governo. Lideranças religiosas, comunitárias, empresariais, lideranças políticas. Unanimidade, o projeto apresentado pelo nosso governo. E a tarifa praticada, na licitação que houve, concorrência nacional, vai ser de R$ 3,90. Vai ser a tarifa mais barata do Brasil e, pode anotar aí: esse projeto rodoviário vai ser dos melhores, senão o melhor do País: duplicação, em 220 quilômetros, prevê 41 viadutos e trincheiras... Não terá uma única cidade que não terá a passagem em desnível um viaduto e uma trincheira. Pistas marginais, passarelas, ciclovias... É um belíssimo projeto. E a população aceitou de pronto, aprovou a proposta do nosso governo. Então, tem PPPs e PPPs. Essa tarifa vai ser baixa, praticada, e é um projeto de muita qualidade. E, com absoluta transparência. Com esses quesitos, a população aceita.


FOLHA - Qual a sua opinião sobre o financiamento de grandes empresas em relação às campanhas eleitorais? Doador de campanha não cobra a conta depois?

Beto - Eu sou a favor do financiamento público de campanha. Num primeiro momento a população é contra até. "Não, vai botar dinheiro público em campanha...". Vê com maus olhos. Mas acaba sendo mais barato para o País. Eu concordo com você. Em muitos casos, não é o meu, há o comprometimento. O que eu falei anteriormente: na ânsia de conquistar o voto do eleitor, promete tudo, na ânsia de ter financiamento de campanha, e a gente sabe que recurso de campanha faz alguma diferença, também acaba prometendo tudo para o empresário. "Olha, você me dá aqui que eu retribuo ali". Isso comigo não acontece. "O que ele ganha te financiando?". Ganha um Estado melhor.


FOLHA - Partido político que dá apoio na eleição também não pede uma contrapartida no governo?

Beto Olha, eu acabo abrindo espaços para compartilharmos a gestão. Mas todos sabem que as pessoas têm que ser qualificadas. E eu não tenho a presunção de achar que só o meu partido tem pessoas competentes. Tem em outros partidos também. Tem bons e maus políticos em todo lugar. Só que em alguns partidos o número de maus políticos por metro quadrado é muito maior, né? É quase que totalmente ocupado. Não é o nosso caso. Então não tenho dificuldade em trazer uma ou outra pessoa de um partido. Mas eu escolho e sou criterioso na escolha. Não teve desempenho conforme as minhas expectativas, eu troco, eu desligo. E além de tudo, volto a insistir: assinam comigo contratos de gestão. É uma prática moderna que vem da administração privada, de muito sucesso. O desempenho acaba acontecendo. Não faço barganha. Depois de eleito a gente conversa. Sem loteamento.


FOLHA - Numa eventual vitória do principal adversário do PSDB na esfera nacional, o PT de Dilma Rousseff, como será sua relação com o governo federal, caso reeleito?

Beto Eu espero que seja boa, como sempre da minha parte, sempre busquei o melhor entendimento, a relação republicana, cumprimos com a nossa obrigação. O povo não nos elegeu para ficar brigando. Não nos elegeu para a gente ficar aí perdendo tempo, desperdiçando energia, tentando desmerecer o outro o tempo todo. A administração ocupa um tempo tão grande da gente que se for ficar pensando o tempo todo em brigas acaba te prejudicando. Eu não busquei esse caminho; me colocaram nessa situação, bloqueando os recursos do Estado. E aí eu tive que reagir. É minha obrigação defender os interesses do Paraná e dos paranaenses. E pelo meu Estado eu brigo, se for preciso. Agora, com o Lula, por exemplo, tive um bom entendimento. Só que nessa gestão tivemos três ministros paranaenses, que não tiveram um entendimento republicano, não cumpriram com as suas obrigações com o nosso Estado. Todos os Estados defendem aí a indicação de ministros, já imaginando que por ser daquele Estado, ele vai privilegiar o seu Estado, antes dos outros. E aqui foi o contrário. Porta fechada o tempo todo. E vou dizer mais para vocês, coisa que eu não relatei ainda. Em muitos ministérios, onde nós fomos, técnicos diziam "Nós estamos fazendo o possível, mas não depende da gente. A decisão é política". Teve o problema do (José Alberto de Freitas) Iegas também, gente. Doze Estados brasileiros têm secretários de segurança agentes, delegados da Polícia Federal. Para mim foi negado. Eu já tinha convidado, o Iegas já estava anunciando, já tínhamos marcado a data e a hora da posse. Aí ordens superiores bloquearam a vinda do Iegas para o Paraná, que é um delegado daqui, muito conceituado, com extraordinário desempenho e atuação por todas as cidades do Paraná por onde passou. Muito sério. E me negaram.


FOLHA O Tribunal de Contas tem alertado para o deficit na Paranaprevidência. O que está previsto no seu plano de governo para tentar solucionar o problema? Há alguma possibilidade de cobrança dos inativos?

Beto Olha, o nosso governo está cumprindo com tudo. Nós estamos depositando todas as contribuições, aprovamos uma lei na Assembleia, inovadora, que ampliou inclusive os investimentos do Estado na Paranaprevidência. Quem não investiu nas suas contribuições foi o governo anterior. Eles sim deram explicações, têm notificações do Tribunal de Contas. No nosso governo já está regularizada a situação da Paranaprevidência. Tem, inclusive, acho que R$ 7 bilhões no fundo da Paranaprevidência.


FOLHA - Durante seu atual mandato, o senhor endossou dois de seus ex-secretários, Durval Amaral e Ivan Bonilha, para um cargo de conselheiro do Tribunal de Contas. Tais nomeações políticas para um órgão técnico estão sendo cada vez mais questionadas, a ponto de existirem hoje propostas de mudanças nas Constituições Federal e Estadual. O senhor concorda que apenas técnicos sejam responsáveis pelas análises das contas? Apoiaria uma proposta neste sentido?

Beto Essas duas vagas são da Assembleia, não são minhas. São da Assembleia. O Ivan Bonilha, por exemplo, é o primeiro conselheiro do Tribunal de Contas funcionário de carreira. Muito competente, me orgulho de ter nomeado esses dois. Mas foram aprovados na Assembleia. É vaga na Assembleia. O Durval Amaral teve 100% dos votos da Assembleia. Até os deputados do PT votaram nele. Ninguém falhou. Eu só vim aqui e nomeei, só referendei o que foi decidido na Assembleia Legislativa.


FOLHA Mas o senhor concorda com essa forma de escolha, com a eleição por parte da Assembleia Legislativa?

Beto Pode ser alterada, mas essa questão é constitucional. Vem da Constituição Federal. Nós só cumprimos a lei. Se houver alguma outra proposta, que contribua para avançar com a democracia, para buscar mais transparência, pessoas mais qualificadas, eu sou sempre a favor, da gente avançar e buscar os melhores instrumentos para cada vez mais termos na vida pública serviços mais eficientes. Não tenho problema algum. Mas a lei é essa e não fui eu que fiz.


FOLHA A OAB alertou sobre o uso de depósitos judiciais não tributários por parte do governo do Paraná. A Secretaria da Fazenda fez então uma varredura e reconheceu o uso irregular de R$ 365 mil. Meses depois, porém, a OAB divulgou que o governo estadual contabilizou para o próprio caixa R$ 34 milhões de depósitos judiciais não tributários, em dados atualizados. Como explicar isso?

Beto Foi um erro que foi involuntário, até porque a lei existe. Nós temos 48 horas para devolução, para o estorno deste saque. Agora, tudo foi feito em comum acordo com o Tribunal de Justiça e com a Caixa Econômica Federal. Então, ali, na confusão dos depósitos porque é difícil você identificar ali na hora quais são os depósitos acabaram vindo neste saque dos tributários alguns particulares. E já está sendo tudo regularizado. Inclusive teve uma reação da OAB. Eu pessoalmente conversei com o presidente da OAB, o Juliano Breda. Ele entendeu na hora que nunca houve má-fé em relação a isso, até porque é ilegal, é flagrantemente ilegal. Então, foi um equívoco cometido pelo Tribunal de Justiça, pelo governo e pela Caixa Econômica Federal, que autoriza o saque. Tudo já está sendo equacionado, acho que já foi devolvido integralmente. Houve um erro involuntário.


FOLHA - Durante o seu mandato, houve a compra de um avião, em uso compartilhado com a Copel, para deslocamentos do chefe do Executivo. Hoje, no Portal da Transparência, não há informações sobre o uso da aeronave (destinos, compromissos, gastos e tripulação). Por que a decisão em não divulgar tais informações?

Beto Deve ter. O Portal da Transparência é para tudo isso.


FOLHA Os planos de voo não são publicados...

Beto - Bom, mas o avião da Copel é uma necessidade. A Copel antes estava sufocada por uma linha de governo ideológica e fundamentalista. Não podia fazer parceria com a iniciativa privada. Então ela acabou sendo sufocada. E hoje a Copel está expandindo seus negócios, investimentos, se fortalecendo para ajudar no desenvolvimento do Estado. E é necessário. Há muitos deslocamentos da diretoria da Copel. Eu mesmo não sei se usei duas, talvez três vezes esse avião ao longo de todo esse período. Agora, se você for lá em Belo Horizonte, no aeroporto, vai ver um hangar da Cemig (Companhia Energética de Minas Gerais), com vários aviões e vários helicópteros. E a Copel é uma empresa que está se expandindo no setor elétrico. É considerada das melhores companhias do Brasil. O avião é necessário para garantir agilidade da diretoria da Copel. Eu usei três vezes o avião. Então não era para mim, não foi comprado para me servir. A Sesp (Secretaria de Estado da Segurança Pública) deve ter aviões também. Mas a Cemig eu vi lá, tem um hangar.

Mariana Franco Ramos e Roger Pereira

Reportagem Local

Fonte: Folha de Londrina - FolhaWeb
  Fonte: http://www.abradee.com.br/
  Data de Publicação: 03/09/2014
 
 

Associação dos Empregados da Eletrobras - Telefone /fax: (21) 3553-3501 / (21) 3553-3502
Copyright 2018 - Todos os direitos reservados a AEEL

Desenvolvido por AMANDY SOFTWARE