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  Notícias
  A vontade de mudança sinalizada por boa parte do eleitorado vem menos dos erros de política econômica cometidos pelo governo e mais de uma visão que atribui a melhora de vida inegável ocorrida nos dois governos de Lula e no primeiro ano de Dilma Rousseff a mérito próprio. Mas quando essa melhora perde o ímpeto, o mesmo eleitor atribui toda a culpa ao governo, avalia o economista-chefe do Banco Fator, José Francisco de Lima Gonçalves. "Eu posso ir mais longe, mas o sistema não deixa. Essa é a percepção", diz Gonçalves, eleito economista do ano pelo Ordem dos Economistas do Brasil.

Professor de história econômica na FEA-USP, Gonçalves diz ser óbvio que a economia piorou e isso conta. Dentre os erros do governo, destaca a disposição de seguir cortando o juro em um momento em que a inflação recobrava força, além do investimento, que não andou. Segundo Gonçalves, que participou da Secretaria do Tesouro Nacional entre 1986 e 1987 e foi assessor econômico da Fazenda na gestão de Zélia Cardoso de Mello (1990-91), um eventual governo Marina Silva vai tentar "fazer algo ortodoxo", enquanto Dilma deve ajustar a parte fiscal. Para ele, 2015 pode ser um ano difícil. "Espero estar errado", diz. Leia a seguir trechos da entrevista.

Valor: É o desempenho da economia que está fazendo o eleitor buscar mudanças?

José Francisco de Lima Gonçalves: Não. É menos a economia do que a imagem geral do governo. Óbvio que a economia piorou e isso conta. Mas é muito mais a imagem do governo, da Dilma. A melhora da economia, inegável do Lula até os dois primeiros anos da Dilma, também melhorou a vida das pessoas. Muita gente atribui essa melhora a seus méritos, não à economia. Quando isso perde ímpeto e para de melhorar, o eleitor afirma que continua se esforçando, mas tem alguém o prejudicando, que é o governo. "Eu posso ir mais longe, mas o sistema não deixa". Essa é a percepção.

Valor: Em termos de política econômica, a avaliação faz sentido?

Gonçalves: As coisas não estão boas. Existe uma expectativa de que a inflação deveria ser 4,5% e não é. Logo, é algo que não está bem. Por outro lado, há um componente grande que sugere que a inflação não é 4,5%, que é muito difícil alcançar isso no Brasil. Há um sistema de preços extremamente dependente da taxa de câmbio e da indexação. As duas coisas são importantes na dinâmica da inflação. O Plano Real não desindexou a economia. Em momentos de real com valorização forte, se conseguiu melhorar a trajetória de inflação e a indexação foi irrelevante. Mas bastou o câmbio andar um pouco e commodities subirem lá fora que a inflação volta a se acelerar por conta da indexação.

Valor: Pesam mais componentes estruturais na inflação do que a política econômica?

Gonçalves: Tem os dois. No primeiro ano de governo Dilma, a política econômica foi como o mercado gosta: juro alto, superávit primário mais do que suficiente. Para não ter saudades do [Antonio] Palocci. No segundo ano, veio a frustração com investimento do setor público, algo que fica claro na Petrobras e na Eletrobras. Passou para o segundo semestre do segundo ano e eu me perguntei: cadê o investimento do Petrobras? E aí como isso não anda e ainda se mantém o real valorizado, se vai arrebentando a atividade doméstica com a indústria desacelerando e o crescimento do setor de serviços como reflexo de uma redistribuição de renda que cria uma demanda por serviços mais básicos e de produtividade muito baixa. E isso é claro. Se sou metalúrgico e viro cabeleireiro vou cortar muitas orelhas antes que minha produtividade melhore. E como os serviços são não transacionáveis, não tem como a inflação não ser atingida. Isso é erro? Até certo ponto, pois esse governo entende que foi eleito para redistribuir renda e tem que lidar com mais inflação. O problema é que o pessoal beneficiário desse movimento acha que tudo veio da sua capacidade. Não sou eu que compro automóvel, é o governo que congestiona as ruas, porque dá incentivos à compra de automóvel. A visão é sempre sobre os "outros". Crédito, desde que seja para mim, tudo bem.

Valor: Houve erro do governo?

Gonçalves: O que eu acho é que o governo usou crédito para sustentar a demanda e foi longe demais nisso. O ciclo de duráveis foi mais forte, mas também mais curto, fortalecendo a sensação de que a coisa piorou. Eu faria algo mais suave. No lugar de olhar para as estatais como fonte de investimento, puxando toda a cadeia produtiva ligada ao setor de energia e de serviços em que a produtividade é maior, se usou crédito barato. Também acho que foi um erro enorme a intervenção no setor elétrico. E como o governo começou a perder na coisa da atividade e teve que começar a mexer em incentivo, foi piorando a coisa fiscal, com IPI, desoneração a folha etc. Há esse crescimento em serviços e dois choques de alimentos - que eu não entendo como os colegas dizem que não é choque - e piora uma situação que já era complicada. E aí veio o erro do Banco Central em ter continuado a baixar a taxa de juros quando a inflação já se mostrava mais forte. É só olhar a curva de inflação à época. Deveria ter parado quando o juro estava em 8,5% ou 9%, que foi quando a inflação virou.

Valor: O BC errou quando começou a baixar o juro em 2011?

Gonçalves: Ele começou certo lá em 2011, porque o mundo estava desacelerando. Os economistas erram o crescimento do mundo há três anos. E este ano erraremos de novo.

Valor: O mundo é um dos argumentos do governo para explicar por que a gente não cresce...

Gonçalves: Ignorar o mundo eu acho um pouco de exagero. O que há é um excesso de capacidade na indústria europeia, isso sem falar na China e nos EUA. Todo mundo que tem indústria está sofrendo com isso. A Alemanha desacelera, o alemão vai ao mercado global de bens de capital e oferta bem de capital com desconto em euro e financiamento a taxa de juro europeia. Não tem empresa brasileira que consiga ofertar isso. E nossa situação vai piorar por causa da China, que está desacelerando: vamos exportar menos e ter concorrência das importações.

Valor: E a desoneração da folha de pagamento, como o sr. avalia?

Gonçalves: A desoneração foi uma tentativa que não deu certo. O governo fez e o pessoal falou, obrigada, vou colocar no bolso. Porque já se estava na incerteza com relação ao crescimento. Se não vou vender, não vou produzir. Acho que para o governo vai ser mais difícil voltar atrás, mas se acaba voltando lentamente.

Valor: O sr. vê alta do desemprego?

Gonçalves: O importante é quanto tempo a renda familiar aguenta sustentando menos gente da família fora do mercado de trabalho. O que há são sinais. Há um sinal que gosto de olhar, que é a curva de salário de admissão e de demissão. Hoje, na média, se demite um salário mais alto e se contrata quem ganha menos. Mas mesmo caindo o salário não se pode dizer que estamos indo para um colapso do emprego. O ponto é quando a coisa piorar em serviços. E acho que vai piorar tão rápido quanto melhorou. Não tem como sustentar emprego sem investimento e isso que é o complicado. Num ambiente de desânimo, tem que ser algo público, que banque o prejuízo. Então, é o contrário do que as pessoas esperam: não é menos, mas mais subsídio, porque ninguém vai correr o risco. Só assim melhora.

Valor: Como o sr. enxerga um eventual governo de Marina Silva?

Gonçalves: Eles vão tentar fazer algo ortodoxo e eu espero que até lá eles descubram que vai ser muito difícil para não chegar com falsas expectativas. Em dois meses pode ficar claro que [o resultado] não vem e vai haver frustração grande do mercado com a dificuldade dela. Esse é risco: a expectativa que se cria e a dificuldade de lidar com as coisas.

Valor: E se Dilma for reeleita?

Gonçalves: O governo deve ajustar a parte fiscal. Na verdade, o ajuste já começou. A queda do investimento é parte dele. Qualquer coisa daqui para frente, é uma reação de governo, seja ele quem for.

Valor: O sr. não parece muito otimista...

Gonçalves: Não sou tão otimista com relação a nada. Câmbio, juro, inflação, atividade nada, independentemente de quem ganhe as eleições, mas com timing diferentes. Com a oposição, vai demorar um pouco mais para ficar ruim, porque a expectativa é positiva. Vejo pressões salariais dos funcionários federais para o ano que vem, com mais problemas para a área fiscal. O ano de 2015 pode ser difícil. Espero estar errado.
  Fonte: www.canalenergia.com.br
  Data de Publicação: 26/09/2014
 
 

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