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Principal aposta do setor el√©trico para os pr√≥ximos anos, a hidrel√©trica de S√£o Luiz do Tapaj√≥s, no Par√°, que deve ser leiloada entre o fim deste ano e 2015, teve a previs√£o de investimentos ampliada para R$ 30,6 bilh√Ķes. O valor, inclu√≠do no Estudo de Viabilidade T√©cnica e Econ√īmica, entregue √† Ag√™ncia Nacional de Energia El√©trica (Aneel) e ainda n√£o divulgado ao p√ļblico, √© 69% superior √† √ļltima estimativa do governo, de R$ 18,1 bilh√Ķes, previsto no Programa de Acelera√ß√£o do Crescimento (PAC).

L√≠der do grupo de empresas respons√°veis pelos estudos pr√©vios da usina, a Eletrobras confirmou a nova cifra ao Valor. Segundo a empresa, a mudan√ßa se deve √† amplia√ß√£o do porte da hidrel√©trica e a uma atualiza√ß√£o do projeto, incluindo custo de m√£o de obra e de equipamentos, al√©m de um mapeamento maior das compensa√ß√Ķes ambientais. O valor anterior foi estimado no invent√°rio do rio Tapaj√≥s.

A modificação no desenho do empreendimento permitiu a elevação da capacidade instalada da usina, de 6.133 megawatts (MW) previsto inicialmente, para 8.040 MW. Para efeito de comparação, a diferença equivale a uma usina de porte um pouco maior que a hidrelétrica de Teles Pires, de 1.820 MW, em construção, no rio de mesmo nome, entre o Pará e o Mato Grosso.

A amplia√ß√£o da pot√™ncia da usina j√° vinha sendo avaliada h√° alguns meses pelo grupo de estudos. O novo n√ļmero foi confirmado pelo relat√≥rio de impacto ao meio ambiente (Rima), entregue em julho ao Instituto do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renov√°veis (Ibama) e divulgado ontem.

O novo projeto de São Luiz do Tapajós prevê a produção de energia firme de 4.012 MW médios. O volume é ligeiramente inferior ao previsto para Belo Monte, também no Pará, de 4.571 MW médios. A mega-hidrelétrica em construção no rio Xingu, no entanto, terá capacidade instalada de 11.233 MW, o que demonstra ser menos eficiente que a usina do Tapajós.

A nova versão do empreendimento também ampliou, de 33 para 36, a quantidade de turbinas na casa de força principal. Cada uma delas terá 215 MW, totalizando 7.740 MW. Além disso, está prevista uma casa de força complementar, com duas máquinas, de 150 MW cada.

O Valor apurou que o governo tem buscado, dentro do poss√≠vel, acelerar o desenvolvimento de S√£o Luiz do Tapaj√≥s. O entendimento no Planalto √© que o leil√£o da hidrel√©trica pode capitalizar politicamente a presidente Dilma Rousseff, mesmo que a usina s√≥ venha a ser licitada ap√≥s as elei√ß√Ķes de outubro. Na avalia√ß√£o do governo, o leil√£o de S√£o Luiz do Tapaj√≥s estaria para Dilma o que foi o leil√£o de Belo Monte para Lula.

Segundo o presidente da Empresa de Pesquisa Energ√©tica (EPE), Maur√≠cio Tolmasquim, h√° "chances fortes" de o leil√£o da hidrel√©trica ocorrer no √ļltimo trimestre do ano. Ele, no entanto, admite que a libera√ß√£o da usina depende da avalia√ß√£o do Ibama e da Funda√ß√£o Nacional do √ćndio (Funai). A licen√ßa pr√©via do √≥rg√£o ambiental √© pr√©-requisito para incluir a usina em leil√£o.

"Tem que aguardar [a licen√ßa]. Tem todo o processo, a an√°lise dos √≥rg√£os ambientais. O parecer da Funai. Tem as audi√™ncias p√ļblicas. Tem todo o rito que tem que ser respeitado. Claro que a palavra final √© da √°rea ambiental. Mas a gente espera que tudo ocorra bem", afirmou Tolmasquim, ressaltando que ser√° feito um leil√£o espec√≠fico para a usina.

Representantes do mercado, porém, demonstram preocupação com a realização do leilão este ano. Segundo uma fonte a par do assunto, é "temerário" fazer a licitação ainda este ano. Para ser possível realizar todos os estudos ambientais necessários, explicou a fonte, o ideal é licitar a usina no primeiro semestre de 2015.

O Valor apurou que, para agilizar o licenciamento ambiental da usina, a Eletrobras, l√≠der do grupo de estudos, realizou antecipadamente reuni√Ķes com representantes do Ibama para detalhar os principais pontos do empreendimento, antes de entregar o Estudo de Impacto Ambiental (EIA) e solicitar o licenciamento pr√©vio, em julho.

Na semana passada, o diretor financeiro da Tractebel, controlada pela GDF-Suez, Eduardo Sattamini, contou, em reunião com analistas do mercado, que a realização de um leilão da hidrelétrica ainda este ano seria algo arriscado. Isso porque, na prática, os empreendedores teriam apenas quatro anos para implantar a usina, ao invés de cinco, a não ser que essa data seja levada em consideração no prazo de concessão. "Será um desafio [para o governo federal] colocar esse projeto", disse o diretor da Tractebel.

Outra estratégia adotada pelo governo foi desenhar a hidrelétrica no conceito de "usina-plataforma". Inspirado nas plataformas marítimas de produção de petróleo, o modelo prevê a instalação da usina com o menor impacto possível no entorno e com parte da operação sendo feita remotamente.

De acordo com o relat√≥rio de impacto ambiental, S√£o Luiz do Tapaj√≥s ser√° uma usina a "fio d √°gua", sem reservat√≥rio de acumula√ß√£o de √°gua, o que reduz o impacto no entorno da usina. O reservat√≥rio vai ocupar uma √°rea de 729 quil√īmetros quadrados, dos quais 353 quil√īmetros quadrados correspondentes √† √°rea do pr√≥prio rio Tapaj√≥s. O escoamento da energia para o Sistema Interligado Nacional (SIN) ser√° feita por uma linha de 40 km, tamb√©m em 500 kV, at√© uma subesta√ß√£o pr√≥xima a Miritituba (PA).

São Luiz do Tapajós será a primeira hidrelétrica da bacia do Tapajós a ir a leilão. O outro projeto no mesmo rio é o da usina de Jatobá, de 2.338 MW, também em estudo pelo mesmo grupo de empresas, formado pelas estatais federais Eletrobras e Eletronorte, as estatais estaduais Cemig e Copel, a franco-belga GDF-Suez, a francesa EDF, a espanhola Endesa, a brasileira Neoenergia e a construtora Camargo Corrêa.

Eletrobras pode entrar em dois consórcios no leilão da hidrelétrica

As empresas do grupo Eletrobras est√£o costurando a composi√ß√£o de dois cons√≥rcios diferentes para disputar o leil√£o da hidrel√©trica de S√£o Luiz do Tapaj√≥s, no Par√°. Com investimento previsto de R$ 30,6 bilh√Ķes, a concess√£o da usina deve ser licitada entre o fim deste ano e 2015.

O Valor apurou que Eletronorte e Chesf (subsidiárias da Eletrobras) estão negociando a formação de um consórcio com a mineira Cemig e a francesa EDF. A espanhola Endesa chegou a integrar o grupo, mas desistiu da parceria depois. De outro lado, Furnas (que também pertence à Eletrobras) está em conversas para compor um consórcio com a China Three Gorges (CTG) e a portuguesa EDP.

Em um primeiro momento, a estrat√©gia da Eletrobras √© ruim para o investidor da companhia, j√° que a competi√ß√£o entre dois cons√≥rcios com a participa√ß√£o da estatal pode reduzir a rentabilidade do projeto para a holding. Segundo uma fonte, por√©m, a negocia√ß√£o com dois grupos pode permitir √† Eletrobras obter informa√ß√£o estrat√©gica dos dois cons√≥rcios. Futuramente, ela pode optar por uma √ļnica composi√ß√£o no leil√£o.

Cemig, Eletronorte, Chesf e EDF assinaram uma espécie de pré-acordo para a formação do consórcio no futuro, apurou o Valor. Procuradas, Cemig e Endesa informaram que não comentariam o assunto. Não foram encontrados porta-vozes da EDF. A Eletrobras informou, por meio de sua assessoria de imprensa, que não fará comentário sobre a participação no futuro leilão.

No lado de Furnas, a companhia assinou recentemente um acordo estrat√©gico com a China Three Gorges , no qual a chinesa formalizou a inten√ß√£o de participar com Furnas de leil√Ķes de hidrel√©tricas no Brasil. No documento, a CTG sinalizou o interesse de disputar a hidrel√©trica do rio Tapaj√≥s.

"Para entrar com Furnas, no certame, no entanto, a empresa chinesa ter√° que passar pelo processo de sele√ß√£o de parceiros, conforme procedimentos de sele√ß√£o de empresas realizados por Furnas", informou a estatal, em nota. A companhia acrescentou ainda que "caber√° √† holding [Eletrobras] a decis√£o sobre a forma de participa√ß√£o [do grupo estatal] e o n√ļmero de empresas participantes".

Na semana passada, o presidente da Energias do Brasil (EdB), subsidi√°ria da EDP, Miguel Setas, afirmou que a empresa n√£o pretende ¬†assumir novos projetos de gera√ß√£o no pa√≠s por enquanto. A EdB est√° concentrada na constru√ß√£o de tr√™s hidrel√©tricas, em sociedade com a CTG: Santo Ant√īnio do Jari e Cachoeira Caldeir√£o, no Amap√°, e S√£o Manoel, no Par√°, essa √ļltima tamb√©m com Furnas.

Nos bastidores, comenta-se também que quem pode fechar o consórcio diretamente com Furnas é a CTG, que é acionista majoritária da holding EDP em Portugal. O Valor apurou ainda que Neoenergia, GDF-Suez e Copel, que integram o grupo de estudos da hidrelétrica, ainda não definiriam a estratégia nem se vão de fato participar da concorrência.

Al√©m de costurar os cons√≥rcios para o leil√£o, os empreendedores j√° iniciaram as conversas com fornecedores e construtoras. O cons√≥rcio formado por Cemig, Eletronorte, Chesf e EDF est√° negociando com a francesa Alstom e a austr√≠aca Andritz o fornecimento das turbinas. Pelo lado de Furnas, o cons√≥rcio est√° negociando o pacote das turbinas com a argentina Impsa e a alem√£ Voith. Andritz, Impsa e Voith n√£o comentam as negocia√ß√Ķes.

Já a Alstom informou, em nota, que "tem interesse no projeto, mas ainda está estudando o empreendimento a fim de ter uma proposta adequada. No momento não há nada concluído".

Na √°rea de constru√ß√£o, o grupo da Cemig est√° em tratativas com as empreiteiras Camargo Corr√™a e Andrade Gutierrez. Esta √ļltima inclusive √© uma das principais acionistas da el√©trica mineira, por meio da AGC Energia. Pelo lado de Furnas, o cons√≥rcio negocia a constru√ß√£o civil com as empreiteiras Odebrecht, Queiroz Galv√£o e Constran. Nenhuma das construtoras comentam o assunto. A Odebrecht, por√©m, informou, em nota, que "est√° atenta √†s oportunidades de neg√≥cio no mercado".
  Fonte: www.canalenergia.com.br
  Data de PublicaÁ„o: 05/08/2014
 
 

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