O diagnóstico, que se consolida após o segundo turno das eleições, “é o de que vivemos uma crise institucional de maior gravidade e um clima de despolitização generalizada da população, e que esse quadro se espelhou nas urnas”. A fala é de Nina Fideles, jornalista e diretora-executiva do #BrasildeFato.
E, agora, “a principal pergunta que se impõe é simples de formular e difícil de responder. Como inverter essa correlação de forças a tempo de vencer, em 25 de outubro, quando o segundo turno decide a eleição?”, questiona em artigo de opinião publicado no #BdF.
“Não existem saídas medianas. Nomear as coisas como são e assumir a radicalidade do próprio projeto é o que esse momento exige da campanha. Lula precisa, mais do que nunca, ser ele mesmo, reconectar-se às demandas diretas da classe trabalhadora e apresentar uma agenda de futuro que preencha de esperança o povo brasileiro, com a ousadia de ir além do que hoje parece possível. Afinal, o que está em jogo é derrotar nas urnas e nas ruas um projeto de barbárie e fascismo.
O Brasil já viveu quatro anos de governo Jair Bolsonaro e sabe o preço de deixar esse projeto voltar ao poder pela via do filho. Foram quatro anos de desmonte de políticas públicas e de estruturas de Estado, de ataques às estatais, de uma pandemia gerida com negacionismo que a CPI da Covid no Senado associou a mais de 700.000 mortes, e de um alinhamento automático a Washington que custou ao país o protagonismo que hoje tenta reconstruir no Sul Global.
O caminho é bradar alto. Nomear as coisas como são. Ir para o embate. Há um retrocesso incalculável em jogo, para o Brasil e para o continente. Não há espaço para otimismo ingênuo, nem para o derrotismo. Resta esperançar, como ensinou Paulo Freire, e não esperar de braços cruzados, mas lutar por aquilo em que se acredita. Serão longos dias.”
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*O texto foi publicado em parceria com a #FundaçãoRosaLuxemburgo
Fonte: Brasil de Fato.