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  O setor el√©trico brasileiro enfrentou graves problemas ao longo deste ano, muitos deles ocasionados pela falta de chuvas que afetou os reservat√≥rios das hidrel√©tricas. Em fun√ß√£o disso, o governo se viu obrigado a acionar as usinas termel√©tricas, cuja energia √© mais cara. A vulnerabilidade do sistema ficou evidenciada e este √© um problema que o governo ter√° de encarar rapidamente, e que n√£o tem receita f√°cil para ser resolvido.

Antecipando-se aos desafios que o pr√≥ximo ocupante do Pal√°cio do Planalto dever√° enfrentar, o Instituto Acende Brasil elaborou um documento,entregue aos candidatos √† Presid√™ncia da Rep√ļblica, com diretrizes a serem seguidas para minimizar e combater os impactos dos problemas do setor el√©trico. Segundo o presidente da entidade,Cl√°udio Sales,o documento analisa aspectos como a adequa√ß√£o da oferta de energia,demanda com qualidade, seguran√ßa no fornecimento,o formato dos atuais leil√Ķes de energia e o processo de licenciamento ambiental para os empreendimentos de energia."Foi observada tamb√©m a parte como os tributos de energia s√£o inseridos.Atualmente,40% do que √© pago nas contas de energia correspondem a impostos",disse.

Segundo Sales,o setor elétrico é altamente complexo e obriga a realização de um alto volume de investimento."Além disso,é um setor no qual todos os agentes cumprem um papel diferenciado,embora estejam todos relacionados,como geração,transmissão e distribuição.Tudo precisa funcionar com perfeita coordenação para que o consumidor tenha a energia de que precisa",diz."As palavras chave são credibilidade e confiança",ressaltou.

O presidente do instituto também aponta mudanças que precisam ser feitas logo.Uma delas diz respeito aos impostos.De acordo com ele,muitos estados adotam incentivos tributários,na forma de cobrança diferenciada do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS),e acabam onerando excessivamente outros setores,como energia elétrica."O setor elétrico responde por uma participação de 2,2% no Produto Interno Bruto (PIB),porém contribui com 8,4% de todo o ICMS arrecadado.Isso é totalmente assimétrico e perverso", analisou.

Sales diz ainda que o tratamento dado √†s linhas de transmiss√£o nos leil√Ķes de licita√ß√£o tamb√©m poderia mudar.De acordo com ele,atualmente as usinas de gera√ß√£o s√≥ podem participar de processos licitat√≥rios ap√≥s contar com a Licen√ßa Pr√©via (LP) expedida pelo Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renov√°veis (Ibama).No entanto,com as linhas de transmiss√£o (LTs) isso n√£o acontece.O pr√≥prio empreendedor que ganhar o lote de linhas precisa obter a LP para s√≥ depois come√ßar a construir. "Nesse processo,todo o prazo dado para a constru√ß√£o das LTs √© consumido √† espera da licen√ßa", assinala.Na opini√£o dele,o ideal seria incluir as linhas no leil√£o s√≥ ap√≥s a LP concedida.

ESSE √Č UMA QUEST√ÉO que ocasionou, nos √ļltimos anos,o problema conhecido como o descasamento da gera√ß√£o e da transmiss√£o,no qual principalmente parques e√≥licos estavam conclu√≠dos sem que pudessem escoar a energia,devido √† aus√™ncia da linha.Agora,o governo cria as linhas de acordo com o aproveitamento e√≥lico de cada regi√£o.

Sales também disse que o planejamento energético do País precisa ser revisto.Para ele,da forma como são organizados,não promovem a expansão da matriz brasileira de forma eficiente."Da maneira como são feitos levam em conta quase que essencialmente a garantia física pela menor tarifa,sem levar em conta atributos que são de fato os mais relevantes de ponto de vista da operação",analisou

O estudo do instituto informa que existem graves problemas na forma como a expansão vem sendo conduzida e que poderão vir à tona e ameaçar o suprimento de energia no futuro."A expansão não segue como planejado.Atrasos em novos empreendimentos não são exceção e,sim,a regra",diz um trecho do estudo.

O documento aponta que 42% das usinas de gera√ß√£o, 31% das linhas de transmiss√£o e 39% da subesta√ß√Ķes devem entrar em opera√ß√£o no prazo previsto, de acordo com dados do Comit√™ de Monitoramento do Setor El√©trico (CMSE).O atraso m√©dio dos empreendimentos de gera√ß√£o √© de quatro meses, enquanto que o das subesta√ß√Ķes √© de seis meses. O pior panorama,por√©m,√© o das linhas de transmiss√£o,cujo atraso √© de um ano.O diretor executivo da Associa√ß√£o Brasileira das Grandes Empresas de Transmiss√£o de Energia (Abrate),C√©sarde Barros Pinto,disse que o planejamento √© fundamental, bem como a revis√£o do modelo de leil√Ķes atualmente em vigor."√Č preciso ter planejamento e coragem de mudar de dire√ß√£o",avaliou.

O diretor da Abrate ressaltou que os problemas do setor elétrico têm piorado de uma maneira geral e o interesse nos processos de licitação das linhas de transmissão vem caindo."Não há o mesmo interesse.Começam a aparecer lotes vagos",disse.

Outro problema registrado ao longo deste ano foi o baixo n√≠vel dos reservat√≥rios das usinas hidrel√©tricas, principalmente nas regi√Ķes Sudeste e Centro- Oeste,dois dos principais mercados sumidores do Pa√≠s.Isso ocorreu devido √† estiagem registrada nesta parte do Brasil.Segundo a Empresa da Pesquisa Energ√©tica (EPE),o m√™s de janeiro deste ano registrou a pior aflu√™ncia desde 1954.

Isso significa que o nível dos reservatórios registraram o pior nível desde o racionamento de energia elétrica de 2001.Em fevereiro deste ano,o armazenamento das usinas do Sudeste e do Centro-Oeste chegaram a 35,54%.Já neste mês,segundo dados do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) o nível chegou a 32,60%.Para o presidente da Abrate, o problema hidrológico serviu para evidenciar a fragilidade do sistema atual."Sabíamos que era um erro não construir usinas com reservatórios,que são mecanismos para estes períodos críticos", apontou.Com isso,o País acaba tendo de utilizar usinas termelétricas para complementar a oferta das hidrelétricas,mas a conta de luz acaba ficando cara para todos os setores a população."O modelo não resistiu à primeira situação hidrológica dversa", disse.

Dados da Empresa de Pesquisa Energ√©tica (EPE) mostram que a fonte hidrel√©trica √© a principal do Pa√≠s,dada a abund√Ęncia de √°gua no Brasil.O problema √© que os chamados aproveitamentos hidrel√©tricos mais pr√≥ximos das principais regi√Ķes de consumo encontram-se praticamente esgotados e √© necess√°rio investir na pr√≥xima fronteira,que √© a regi√£o Norte.Por√©m,muitos problemas s√£o observados, como construir usinas na regi√£o da Amaz√īnia, fato que leva a conflitos com povos ind√≠genas e outros moradores.Um dos exemplos desse conflito √© a hidrel√©trica de Belo Monte,no rio Xingu,que estava engavetado no governo desde os anos 80,por falta de entendimento com a popula√ß√£o local,contra o projeto porque o grande reservat√≥rio que seria constru√≠do pela usina alagaria uma √°rea muito extensa e colocaria em risco a atividade da pesca.

No fim do governo do presidente Luiz In√°cio Lula da Silva,Belo Monte afinal foi levado para licita√ß√£o, mas seu projeto foi refeito e ele come√ßou a ser constru√≠do sem grande parte do reservat√≥rio revisto. Devido a quest√Ķes ambientais,a usina projetada para gerar at√© 11 mil MW de pot√™ncia instalada dever√° ter uma gera√ß√£o firme de apenas 4 mil MW. Cl√°udio Sales,do Instituto Acende rasil,assinala que no futuro estes aproveitamentos tamb√©m se esgotar√£o." Isso traz desafios adicionais do ponto de vista do abastecimento,porque muitas s√£o usinas a fio d¬ī√°gua que tem uma varia√ß√£o enorme.E esse volume enorme que ter√° de trafegar por longas distancias", disse.

O PRESIDENTE do Acende Brasil diz que cada vez mais a capacidade de armazenamento de √°guas nos reservat√≥rios est√° caindo.De acordo com ele,h√° dois anos o Pa√≠s tinha o equivalente a 6,5 meses de consumo de √°guas guardada nos reservat√≥rios. Atualmente,essa capacidade n√£o passa de 4,5 meses."E a tend√™ncia √© que continue caindo, devido a estas usinas fio d¬ī√°gua.Para manter essa m√©dia de 4,5 eses o Pa√≠s precisaria construir quase o equivalente do reservat√≥rio da hidrel√©trica de Sobradinho a cada tr√™s anos",completou.

Outro problema √© que estas usinas destes aproveitamentos no Norte do Pa√≠s est√£o situadas em regi√Ķes planas,o que tamb√©m desfavorece os grandes reservat√≥rios,al√©m da quest√£o ambiental.Com isso,o Pa√≠s acaba tendo de depender cada vez mais das usinas termel√©tricas para gerenciar o n√≠vel da √°gua dos reservat√≥rios das hidrel√©tricas.

Sales apontou que outra problem√°tica envolvendo as usinas no Norte √© a quest√£o da transmiss√£o. Como levar a energia gerada pelas usinas amaz√īnicas at√© os centros de consumo na regi√£o Sudeste? Para o presidente da Abrate,C√©sar de Barros Pinto,a resposta est√° em novas tecnologias que,para ele,o Pa√≠s aprender√° a dominar."A expans√£o em dire√ß√£o ao Amazonas exigir√° linhas muito mais compridas do que na regi√£o Sudeste .Constru√≠ram torres de transmiss√£o da altura da Torre Eiffel para ligar Manaus ao Sistema Interligado Nacional",comenta.

De acordo com ele,os engenheiros nacionais ainda trabalham para se adaptar √†s novas tecnologias do sistema.As usinas do Rio Madeira (RO),Jirau e Santo Ant√īnio,utilizar√£o linhas em corrente cont√≠nua para levar a gera√ß√£o daquela regi√£o at√© o Sudeste.A linha das usinas do Madeira s√£o consideradas as mais extensas do mundo nesse tipo de corrente, percorrendo uma dist√Ęncia de 2.385 quil√īmetros desde a subesta√ß√£o coletora de Porto Velho at√© a subesta√ß√£o de Araquara,em S√£o Paulo.Ela entrou em opera√ß√£o no fim do ano passado,com cerca de um ano de atraso.Constru√≠do pelo Cons√≥rcio Integra√ß√£o El√©trica do Madeira,os investimentosempregados em sua viabiliza√ß√£o foram de aproximadamente R$ 2,2 bilh√Ķes.Em Araraquara,a subesta√ß√£o transformar√° a corrente cont√≠nua em alternada permitindo a distribui√ß√£o da energia para as redes do Sudeste.


Distribuidoras sofrem com perdas de energia

Um problema que muitas distribuidoras de energia el√©trica enfrentam √© ofurto de energia. Segundo a associa√ß√£o Brasileira de Distribuidores de Energia El√©trica (Abradee), esse tipo de crime, raticado por meio das liga√ß√Ķes landestinas, tamb√©m conhecido popularmente como gato, tem maior incid√™ncia no Norte e Nordeste do Pa√≠s. Em perdas totais (ou seja, n√£o apenas por causa de gatos), a Eletrobras Amazonas, distribuidora federalizada ligada √† estatal de fornecimento de eletricidade, precisa trabalhar com uma taxa de 39,1%, seguida pela Centrais El√©tricas do Par√°, com 31,6%, e da Eletrobras Piau√≠, com 30,4% de perdas.

O Rio de Janeiro tem perdas totais de 23,9%, mas a Light, distribuidora el√©trica no Rio, convive com 15,7% de furto de energia. O superintende comercial da empresa, Ivson Vasconcellos, disse que em clientes de baixa tens√£o, como as resid√™ncias, o percentual de perda por furto atinge at√© 42,2%. "√Č o equivalente ao suprimento de energia para todo o estado do Esp√≠rito Santo durante um ano", disse ele.

O Rio de Janeiro tem perdas totais de 23,9%, mas a Light, distribuidora el√©trica no Rio, convive com 15,7% de furto de energia. O superintende comercial da empresa, Ivson Vasconcellos, disse que em clientes de baixa tens√£o, como as resid√™ncias, o percentual de perda por furto atinge at√© 42,2%. "√Č o equivalente ao suprimento de energia para todo o estado do Esp√≠rito Santo durante um ano", disse ele.

"De 2014 a 2018, a companhia investir√° outros R$ 2 bilh√Ķes na repress√£o ao furto de energia em toda a sua √°rea de concess√£o, onde h√° a presen√ßa do estado, pois a mil√≠cia e o tr√°fico impedem a opera√ß√£o da concession√°ria nas demais localidades em que as perdas comerciais atingem patamares elevados", disse.

Vasconcellos ressaltou que a empresa tem atuado pr√≥xima ao governo do estado em sua pol√≠tica de cria√ß√£o das Unidades de Pol√≠cia Pacificadora (UPP) nas comunidades pacificadas e atua com o objetivo e reformar o sistema el√©trico nas comunidades pacificadas, fornecendo aos consumidores qualidade de fornecimento adequada e ao mesmo tempo eliminando as liga√ß√Ķes clandestinas que sobrecarregam os transformadores e causam um n√ļmero excessivo de desligamentos e, na maioria dos casos, ocasionam a queima de equipamentos.

A companhia atua nestas √°reas com projetos de desenvolvimento e moderniza√ß√£o da rede el√©trica, que inclui substitui√ß√£o dos postes, redes, transformadores e medidores, e utilizando tecnologia mais moderna, como cabos compactos e blindados, sistema de medi√ß√£o e leitura remota, postes de material polim√©rico e seccionados. Em 2013, foram feitas 30 mil normaliza√ß√Ķes de clientes e, at√© junho de 2014, outras 20 mil. Desde o in√≠cio do projeto, o n√ļmero total de medidores eletr√īnicos instalados chegou a 509 mil.

Entre os projetos de eliminação dos gatos está o projeto Light Legal, que consiste em selecionar pequenas áreas de 10 a 20 mil clientes onde atuam microempresas voltadas exclusivamente para a elhoria dos indicadores de perdas e inadimplência. A companhia de energia chegou a 29 áreas atendidas, abrangendo 505 mil clientes. "Desde o início do projeto, as áreas já inauguradas,que antes apresentavam perda média de 45% da carga, vêm demonstrando excelentes resultados, com redução média de 33,6 pontos percentuais nas perdas não-técnicas sobre a carga fio e aumento médio na arrecadação, de 10,2 pontos percentuais", diz o superintendente.

At√© o final de 2014, a previs√£o √© que sejam criadas mais 10 unidades do Light Legal, alcan√ßando 39 no total e cerca de 623 mil clientes atendidos. Nessas √°reas, h√° um novo sistema de medi√ß√£o e rede blindada, que facilita a a√ß√£o da Light √† dist√Ęncia e inibe a possibilidade de fazer gatos.

Outro projeto, as Blitzes Legais s√£o inspe√ß√Ķes de campo e blitzes localizadas com o apoio da Delegacia de Defesa dos Servi√ßos Delegados (DDSD). Somente em 2014, a Light j√° realizou 73 mil nspe√ß√Ķes, com cerca de 15 mil casos identificados como irregularidades. Desse total, 82 registros de ocorr√™ncia foram lavrados, e os respectivos respons√°veis encaminhados √† delegacia. Como qualquer irregularidade, √© preciso haver investiga√ß√£o, den√ļncias e todo um trabalho para identificar esses crimes e flagrar seus respons√°veis, para que sejam aplicadas as penas previstas em lei.

No ranking dos locais com maior n√ļmero de ligan√ß√Ķes clandestinas, considerando apenas a perda relacionada aos clientes de baixa tens√£o, o munic√≠pio de Rio das Ostras lidera, com 77% do total fornecido. Em seguida surge o Complexo da Mar√©, na Zona Norte, com taxa de 69%. J√° Belford Roxo, na Baixada Fluminense, tem √≠ndice de 56,6%. Bangu, na Zona Oeste, tem √≠ndice de perda de 44,6%
  Fonte: www.canalenergia.com.br
  Data de PublicaÁ„o: 17/09/2014
 
 

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