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  Not√≠cias
  S√©rie de entrevistas da FOLHA com os oito postulantes ao governo do Paran√° traz hoje o candidato do PSDB, Beto Richa


FOLHA - Uma das an√°lises feitas em rela√ß√£o √†s manifesta√ß√Ķes populares do ano passado discorria sobre a crise de representatividade - o pol√≠tico estaria distante da popula√ß√£o. Os protestos tamb√©m indicaram que as elei√ß√Ķes deste ano seriam pautadas por um sentimento de mudan√ßa. No Paran√°, os tr√™s principais candidatos ao governo, por√©m, s√£o o senhor, que j√° √© governador, o senador Roberto Requi√£o, que busca um quarto mandato, e a senadora Gleisi Hoffmann, ministra da Casa Civil durante a maior parte do governo da presidente Dilma Rousseff. N√£o falta renova√ß√£o na pol√≠tica paranaense?

Beto Eu acho que √© mais do que uma renova√ß√£o de nomes. √Č de novas ideias e novas posturas da classe pol√≠tica. As manifesta√ß√Ķes de junho do ano passado cobram mais isso; uma nova postura da classe pol√≠tica: respeito, zelo na aplica√ß√£o dos recursos. Ali foi como uma panela de press√£o, eu costumo dizer, que explodiu. Vinha acumulando insatisfa√ß√Ķes, insatisfa√ß√Ķes, insatisfa√ß√Ķes. Abusaram da paci√™ncia do povo. Corrup√ß√£o, corrup√ß√£o, obras superfaturadas, desvio de conduta, l√≠deres deste governo, deste partido que est√° no governo, foram presos. √Č sanguessugas, mensal√£o, obras superfaturadas. Veio se acumulando essa insatisfa√ß√£o e estourou; acabou se estendendo para todos os pol√≠ticos, em especial os que t√™m mandato. Ai do pol√≠tico que n√£o entendeu o recado que veio das ruas. A gente entende. Cada vez mais nova postura, mais transpar√™ncia das administra√ß√Ķes p√ļblicas, mais proximidade com as pessoas, sintonia com os anseios. Deram o recado. As coisas mudaram, o povo est√° mais consciente e a sociedade est√° mais vigilante em rela√ß√£o aos pol√≠ticos.


FOLHA - Que resposta o seu governo, especificamente, deu a esse movimento que surgiu das ruas?

Beto Uma postura de transpar√™ncia. Ampliamos os canais de comunica√ß√£o com a popula√ß√£o, internet, o Portal da Transpar√™ncia foi aprimorado. Veja outro detalhe: cobraram nas ruas, as manifesta√ß√Ķes todas, redu√ß√£o da tarifa de √īnibus. Eu fui o √ļnico governador que antes das manifesta√ß√Ķes tinha reduzido a passagem de √īnibus aqui, das linhas que est√£o sob gest√£o do Estado. E as municipais das principais cidades eu reduzi, isentei o ICMS sobre o √≥leo diesel. Para Curitiba, que tem um sistema maior 16 munic√≠pios integrados ainda demos, para manter a integra√ß√£o, o subs√≠dio. Uma das fortes reivindica√ß√Ķes nas manifesta√ß√Ķes foi tarifa de √īnibus. A popula√ß√£o quer satisfa√ß√£o, quer presta√ß√£o de contas. E isso eu tenho feito seguidamente. Eu sempre fui um pol√≠tico acess√≠vel, que respeita as pessoas, que ouve para formar o ju√≠zo. Eu fiz na Prefeitura (de Curitiba), inovei com as audi√™ncias p√ļblicas, e agora no Estado atendo a todos, atendo as entidades, institui√ß√Ķes, percorri os 399 munic√≠pios, fui o primeiro governador a fazer isso. A gente j√° tinha esse estilo e n√≥s aprimoramos.


FOLHA - Na campanha de 2010, o senhor disse que considerava o tamanho do Estado exagerado. Hoje, segundo o site do próprio governo, são 27 secretarias embora o senhor fale em 19, por considerar as maiores. Qual a sua avaliação sobre essa situação?

Beto - O Deonilson (Roldo, chefe de gabinete), que está na sala aqui ao lado, é considerado secretário. E ele tem a salinha dele, nem secretária tem. A secretária fica lá na frente. Não pode ser considerada como uma secretaria de chefe de gabinete.


FOLHA Mas s√£o 27 institui√ß√Ķes denominadas de secretarias, e consequentemente administradas por 27 secret√°rios, certo?

Beto - Mais importante do que o n√ļmero √© o que elas gastam. Acho que isso √© o que a popula√ß√£o est√° interessada. Mas pode concluir.


FOLHA O senhor considera esse tamanho da m√°quina adequado? Ou ainda acredita que alguma estrutura possa ser cortada?

Beto Dezenove secretarias eu acho adequado, mas vou enxugar ainda mais. H√° cerca de um ano eu reduzi o n√ļmero de secretarias, eliminei mil cargos em comiss√£o tanto √© que o IBGE fez um diagn√≥stico recentemente, em maio, apontando que o Paran√° tem o menor n√ļmero de cargos em comiss√£o do Brasil, com a elimina√ß√£o dos mil cargos que eu fiz no ano passado. Secretarias s√£o 19, j√° enxuguei algumas e fundi, e no pr√≥ximo governo mais umas tr√™s secretarias ser√£o fundidas, eliminando estruturas, que √© isso o que importa para a popula√ß√£o: o que se gasta com a m√°quina p√ļblica. S√£o duas, s√£o tr√™s, s√£o 20... O que importa √© quanto custa e, aqui, desde que eu assumi o governo, √© um trabalho permanente. Eu assumi o governo determinando aos meus secret√°rios a redu√ß√£o de pelo menos 15% nos gastos de custeio. Eles superaram as minhas determina√ß√Ķes e chegaram a 19% de redu√ß√£o, o que significou uma economia de R$ 70 milh√Ķes. No outro ano, pedi mais uma redu√ß√£o de custeio. Por qu√™? Cada vez mais n√≥s queremos gastar menos com o governo, para investir mais nas pessoas. √Č mais dinheiro que sobra para investimento em obras, √© mais investimento que sobra para melhorar a qualidade dos servi√ßos p√ļblicos. Isso n√≥s temos conseguido ao longo de todo o mandato, at√© porque herdei o Estado quebrado, me deixaram d√≠vidas de R$ 4,5 bilh√Ķes, boicote do governo federal aos empr√©stimos do Paran√°. Ent√£o tudo isso me dificultou a vida. Mesmo assim, acho que os paranaenses podem se considerar vencedores, porque em todas as √°reas os avan√ßos foram expressivos, reconhecidos nacionalmente, por entidades, institui√ß√Ķes, ve√≠culos de comunica√ß√£o nacionais e at√© internacionais, recentemente.


FOLHA O senhor citou os casos de corrup√ß√£o envolvendo o partido √† frente do governo federal. Para o seu secretariado, contudo, foram nomeadas duas pessoas relacionadas a esc√Ęndalos recentes: o Cassio Taniguchi (Planejamento), condenado pelo Supremo Tribunal Federal por crime de responsabilidade, e o Ezequias Moreira (Cerimonial e Rela√ß√Ķes Internacionais), cuja sogra foi funcion√°ria fantasma da Assembleia Legislativa do Paran√° por 11 anos.

Beto - Esse caso do Ezequias rende, hein? Meu Deus do c√©u... Eu n√£o tenho nenhum esc√Ęndalo no meu governo e √© a √ļnica coisa que todo mundo pega h√° quatro anos. N√£o, h√° sete anos...


FOLHA Mas considerando esse histórico, a nomeação dessas pessoas não é um problema, e não transfere, de alguma forma, a responsabilidade ao senhor?

Beto - N√£o. Eu, importante antes de mais nada dizer, implantei a Ficha Limpa no Paran√°. Aprovamos na Assembleia. √Č lei. E os dois n√£o se enquadram nessa situa√ß√£o. Eu j√° falei, claramente, em uma entrevista nacional, que se o Ezequias, tendo seu julgamento, for condenado, ele est√° desligado do meu governo, automaticamente. Eu n√£o discuto senten√ßa judicial. Determina√ß√£o da Justi√ßa a gente cumpre. N√£o tem a menor dificuldade. Ele est√° comigo h√° muito tempo, nunca fez nenhuma maracutaia, me conhece e sabe que eu n√£o admito, n√£o permito. O problema dele √© um caso com a administra√ß√£o da Assembleia, antes de eu entrar na Assembleia Legislativa. N√£o tem um v√≠nculo sequer comigo. √Č uma situa√ß√£o da qual ele est√° se explicando na Justi√ßa. Se ele for condenado, a√≠ ele est√° desligado do governo. A pr√≥pria Lei da Ficha Limpa determina isso.


FOLHA - A nomeação dele ocorreu na véspera do julgamento, o que o transformou num político com foro privilegiado na ação criminal. Como o senhor justifica essa interferência? Não foi uma manobra para adiar o julgamento?

Beto N√£o foi, n√£o foi. Est√° para ser julgado. Muitos pol√≠ticos, hoje, ao contr√°rio: querem voltar para a primeira inst√Ęncia, sair do foro privilegiado, para ter mais condi√ß√£o de se defender em outras inst√Ęncias, at√© chegar l√° em cima. Hoje muitos querem voltar, perder o foro privilegiado. E o processo inclusive fica mais longo. Eu n√£o posso julgar se a ju√≠za ia conden√°-lo ou n√£o, n√£o posso prever se ele ser√° condenado aqui no Tribunal de Justi√ßa.


FOLHA O senhor falou que se o Ezequias for condenado, será desligado do seu governo. O Cassio Taniguchi, porém, chegou a ser condenado por crime de responsabilidade. Só não cumpriu pena porque o crime prescreveu. O senhor não vê problemas em mantê-lo na administração?

Beto Perante à lei ele está livre para exercer o cargo.


FOLHA E perante à população, já que ele só não foi responsabilizado efetivamente porque o crime prescreveu?

Beto Perante √† lei ele est√° isento. E me ajuda muito na parte t√©cnica, no planejamento do Estado. √Č eminentemente t√©cnico o cargo dele. E eu acho que ele tem sido √ļtil para o Estado. J√° demonstrou capacidade administrativa em v√°rios cargos que ocupou. O Cassio tinha convite de v√°rios Estados do Brasil, para ajudar nessa √°rea t√©cnica, nessa √°rea de planejamento. Eu achei que ele seria importante para o Estado. Tem sido. Tem sido comprovado. Foi um grande prefeito de Curitiba, como secret√°rio de planejamento j√° em governos atr√°s, com grande desempenho.


FOLHA Em relação à tarifa de energia elétrica, governador: houve recentemente um pedido de reajuste de 32,4%, a Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) autorizou 35,05%, o senhor se disse surpreso e pediu uma revisão. Em seguida, o aumento confirmado foi de 24,8%. Primeiro: esse reajuste abaixo do que o governo tinha dito ser necessário anteriormente não compromete as contas da Copel (Companhia Paranaense de Energia Elétrica)? Segundo: 24,8% para a população não é um índice muito alto, considerando que está bem acima da inflação? E terceiro: iremos herdar 11% para o ano que vem?

Beto - Veja s√≥: essa situa√ß√£o √© facilmente comprov√°vel. Todos os ve√≠culos de comunica√ß√£o, pelo menos os de circula√ß√£o nacional, trouxeram mat√©rias dias e dias a fio. Se pegar o Estad√£o, a Folha de S.Paulo e a Veja, houve mat√©rias e mais mat√©rias, p√°ginas, a respeito da m√° gest√£o do setor el√©trico no Brasil, inclusive com depoimentos de especialistas, mostrando que a m√° gest√£o culminou com o aumento exagerado na conta de luz no Brasil inteiro. O que acontece? As regras da Aneel exigem que todas as companhias de energia estatais ou privadas encaminhem todos os seus investimentos e todos os seus gastos ao longo do ano. L√° √© julgado, no conselho da Aneel, se os valores batem, os investimentos realizados. E a Aneel sugere um reajuste de energia para que a companhia n√£o tenha preju√≠zo, para que a distribuidora n√£o tenha preju√≠zo, e os gastos sejam repassados aos consumidores. √Č exatamente isso que acontece. E por que est√° t√£o alto no Brasil inteiro? Est√° t√£o alto por essa m√° gest√£o. Pegamos um grande per√≠odo de estiagem, falta de investimento em hidrel√©tricas, o governo federal acionou as t√©rmicas, que s√£o altamente poluidoras, e com custo de energia car√≠ssimo, e isso tudo culminou com essa situa√ß√£o, todo esse reajuste. Bom, foi sugerido pela Aneel 35% ou 36%, n√£o me recordo, mas √© isso. E eu pedi √† Copel que suspendesse qualquer an√ļncio de reajuste nesses patamares. Fiquei duas semanas a√≠ pensando no que fazer, reunido com a diretoria da Copel, para imaginar o que ia fazer. Por um lado, eu n√£o posso onerar tanto os consumidores, que n√£o suportam um aumento exagerado. Por outro lado, se eu n√£o der reajuste, eu quebro a Copel, uma companhia que √© orgulho dos paranaenses e no meu governo foi fortalecida, que investe e contribui para o desenvolvimento do Estado do Paran√°. Ent√£o eu busquei um ponto de equil√≠brio, que foi 24%. √Č o m√≠nimo, m√≠nimo que eu possa dar e que n√£o comprometa a Copel. A√≠ chegamos a esse n√ļmero. Menos do que isso estaria em maus len√ß√≥is a Copel, inclusive correndo risco, porque no ano que vem n√≥s temos a renova√ß√£o da distribuidora, da concess√£o, e se ficar no vermelho eles ca√ßam a concess√£o, a Aneel. Deste reajuste todo, para voc√™ ter uma ideia, 1,6% √© custo Copel, 1,6%. O resto todo √© custo do sistema nacional. Se a energia que n√≥s produzimos aqui, que √© abundante, √© em excesso, o Paran√° √© um grande produtor de energia do Brasil, se fosse consumida aqui, n√≥s ter√≠amos a energia mais barata talvez do mundo. S√≥ que n√≥s somos obrigados a jogar no sistema nacional, vai para o Pa√≠s inteiro. N√≥s temos que recomprar a energia. E quem promove os leil√Ķes? O governo federal. Quem que fixa o valor dos leil√Ķes? O governo federal, a custos alt√≠ssimos. Ent√£o √© por isso que encareceu a conta de luz no Brasil inteiro. Agora, obviamente, estamos no per√≠odo eleitoral. Os meus advers√°rios de forma maldosa, porque sabem como √© que funciona, querem gerar um desgaste pol√≠tico. Mas est√° mais do que explicado, quem l√™ jornal sabe que a conta est√° cara no Pa√≠s inteiro.


FOLHA No ano passado o senhor também concedeu um reajuste menor do que o autorizado... (interrompeu)

Beto Também.


FOLHA - Foi logo depois dos protestos. Isso n√£o resultou... (interrompeu)

Beto Foi deferido para o ano que vem. E respondendo agora completamente a sua pergunta, no ano que vem a gente espera que mude o governo (federal) e possa haver um novo entendimento, mais competência na gestão do setor elétrico. E quem sabe a gente não precise dar esse aumento no ano que vem. Eu estou muito confiante em relação a isso, não onerar mais a população.


FOLHA A Aneel ameaçou interferir na Copel em função de gastos excessivos com pessoal, material, serviços de terceiros e outros. Seus adversários também têm explorado o assunto, afirmando que o comprometimento da folha de pagamento das estatais ultrapassou o aceitável. Como o senhor analisa essa questão?

Beto N√£o √© verdade. N√≥s enxugamos. Acho que hoje tem menos funcion√°rios na Copel do que no per√≠odo anterior. Consegui v√°rios direitos de resposta em rela√ß√£o a isso. Est√£o o tempo todo tentando confundir a opini√£o p√ļblica. Importante tamb√©m que a Copel no meu per√≠odo de governo, quatro anos, investiu R$ 8 bilh√Ķes. Nos oito anos anteriores, foram investidos R$ 4 bilh√Ķes. N√£o tem par√Ęmetros para comparar. Os investimentos da Copel hoje representam quatro vezes mais do que foi investido no governo anterior, por ano. Hoje √© uma companhia que acabou de receber mais uma premia√ß√£o todo ano da Abradee (Associa√ß√£o Brasileira de Distribuidores de Energia El√©trica). Pr√™mio na qualidade dos servi√ßos prestados. Oito anos anteriores: nenhum pr√™mio. Ao contr√°rio: multas e multas da Aneel, at√© preciso ver os valores, quantos milh√Ķes. Multa em cima de multa, por n√£o cumprimento de metas e procedimentos da Aneel. Era uma bagun√ßa. E hoje n√≥s modernizamos a empresa, estruturamos, a empresa presta grandes servi√ßos, √© lucrativa. Est√£o a√≠ os investimentos que comprovam. E a Sanepar (Companhia de Saneamento do Paran√°) √© a mesma coisa: tentaram dizer que eu ia privatizar, esses que me acusaram de privatiza√ß√£o quebraram as empresas. A Eletrobras, com a m√° gest√£o do governo federal, acumula um preju√≠zo de R$ 50 bilh√Ķes. A Petrobras R$ 200 bilh√Ķes. Se eu fosse represar e n√£o dar o aumento, eu ia fazer com a Copel o que eles fizeram com a Petrobras: represando em ano de elei√ß√£o o reajuste do combust√≠vel, e gerando todo esse preju√≠zo, que todos n√≥s brasileiros vamos pagar, pela m√° gest√£o. A vergonha para n√≥s √© que est√° na m√≠dia mundial que a Petrobras √© a empresa n√£o financeira mais endividada do mundo. Eu tenho responsabilidade de governador s√©rio, √©tico, que se preocupa com o seu Estado, muito mais do que a quest√£o eleitoral. Eu podia represar o aumento todo e n√£o ter nenhum desgaste eleitoral. Mas eu estou pensando no interesse do Paran√° e de todos os paranaenses, e preservar uma companhia que ajuda tanto no desenvolvimento do Estado, e √©, segundo as entidades a√≠, pelas premia√ß√Ķes que recebe, a melhor companhia do Pa√≠s.


FOLHA - Os adversários do senhor dizem que a atual gestão não possui nenhum grande programa ou grande obra. O que o senhor acredita que fez de mais significativo nesses quatro anos e que pretende deixar como marca da sua administração?

Beto Voc√™ pode perguntar para qualquer munic√≠pio do Paran√°, aos prefeitos, qual foi o per√≠odo que teve mais obras nas suas cidades; mesmo os do PT. Na minha administra√ß√£o tem prefeito que chega a dizer que todos os governos anteriores n√£o investiram tanto no seu munic√≠pio quanto o nosso √°rea de sa√ļde, unidade de sa√ļde, asfalto, recurso a fundo perdido, pedras irregulares, cal√ßamento ligando por distrito, as patrulhas do campo que j√° readequaram 2.500 quil√īmetros de estradas, as escolas, 2000 obras em escolas. O governo anterior investia R$ 2 milh√Ķes em agricultura familiar, alimentos para merenda. N√≥s investimos hoje R$ 46 milh√Ķes, 20 e poucas vezes a mais. Transporte escolar: os prefeitos recebiam R$ 27 milh√Ķes por ano. Repassamos hoje R$ 92 milh√Ķes, quase quatro vezes mais. O programa de calc√°rio n√£o existia; reativamos. Maior industrializa√ß√£o da hist√≥ria. As cooperativas nunca foram t√£o apoiadas como no nosso governo. O prefeito tinha que pagar conv√™nio com a Emater (Instituto Paranaense de Assist√™ncia T√©cnica e Extens√£o Rural), para ter apoio t√©cnico aos produtores. Isentamos todos os prefeitos do Paran√° - √© obriga√ß√£o nossa - e inclusive contratamos mais 400 t√©cnicos para a Emater. Implantamos a Defensoria P√ļblica o Paran√° era o √ļnico Estado do Brasil, ao lado de Santa Catarina, que n√£o tinha Defensoria. N√≥s implantamos. Tem um custo isso. Adapar (Ag√™ncia de Defesa Agropecu√°ria), est√° implantada. Hoje o Paran√° j√° tem quatro frigor√≠feros importando carne bovina para a R√ļssia. Eu estive l√° negociando com os t√©cnicos da R√ļssia na embaixada brasileira, uma reuni√£o de tr√™s horas em novembro do ano passado. Veja em Londrina: a maior obra da hist√≥ria de Londrina, 100% o governo est√° fazendo l√°, a duplica√ß√£o da 445. Dezessete quil√īmetros, 15 viadutos e trincheiras. A maior obra que pediram em Foz, est√° l√°: o viaduto da Avenida Paran√°. E hoje temos nesses quatro anos 250 quil√īmetros duplicados.


FOLHA Pretende retomar o "Tudo Aqui" num eventual mandato?

Beto Vou fazer. Vou fazer. Deu certo em todo lugar. Por que aqui n√£o daria? Ent√£o, esse n√£o foi feito. Mas n√£o por falta de empenho meu, do meu governo, por quest√Ķes externas. Mas vai ser feito. Agora, as metas eu persegui o tempo todo o cumprimento. Registro e nos pr√≥ximos dias estarei registrando de novo em cart√≥rio meu plano de governo. Eu n√£o fa√ßo pol√≠tica com demagogia, como boa parte da classe pol√≠tica faz. Em campanha prometem tudo, na √Ęnsia de conquistar o voto do eleitor a qualquer custo. Eu n√£o fa√ßo campanha como se fosse a √ļltima da minha vida. Eu quero poder voltar √†s cidades, reencontrar as pessoas olhando nos olhos delas, sabendo que eu n√£o as enganei, que eu n√£o prometi coisa que eu n√£o pudesse cumprir. Mas por que √†s vezes voc√™ n√£o consegue atingir 100%? Porque eu fa√ßo um governo democr√°tico, um governo pr√≥ximo das pessoas. Eu converso demais, fui em 399 munic√≠pios, ou√ßo as pessoas, para formar o nosso ju√≠zo. E muitas vezes as pessoas me apresentaram uma prioridade que n√£o era aquela que eu tinha apresentado. E eu n√£o tenho dificuldade em mudar o rumo da proposta, promover ajuste, ou mudar o rumo da proposta por inteiro, porque o governo est√° aqui para representar os interesses da popula√ß√£o.


FOLHA - No seu plano de governo de 2010, protocolado junto ao TRE, o senhor disse que todos os gastos do governo teriam que observar "o preceito da m√°xima economia dos recursos p√ļblicos" e que a sua gest√£o teria como term√īmetro de seu desempenho o total controle sobre os gastos p√ļblicos. Tamb√©m estavam no documento "diminuir as despesas correntes, reequacionar a d√≠vida p√ļblica e aumentar a capacidade de investimento do Estado". O senhor acredita que esses objetivos foram alcan√ßados?

Beto Foram. Pode ser n√£o integralmente, porque n√£o imaginava que ia pegar um Estado t√£o desmantelado, t√£o desestruturado como eu peguei. Tinha sala de aula que n√£o tinha professor. Eu contratei 17 mil professores. Olha s√≥, 17 mil, 60% de aumento no sal√°rio deles, 50% de amplia√ß√£o, amplia√ß√£o da hora-atividade... Antes tinham entrado com uma Adin (A√ß√£o Direta de Inconstitucionalidade) contra o piso nacional e contra a hora-atividade. Contratei dez mil policiais. Eu assumi o Estado com o menor efetivo de policiais militares per capita do Brasil, dez mil policiais. Bons sal√°rios. No concurso que eu fiz para a PM, √© bom dar testemunhos, provas, h√° dois anos, tivemos 126 mil inscritos. √Č o maior concurso, com maior n√ļmero de candidatos da hist√≥ria do Paran√°, atra√≠dos pelo bom sal√°rio que eu ofere√ßo. Vieram pessoas do Brasil inteiro prestar concurso aqui. Ent√£o eu tive que reestruturar o Estado. Isso custa. Como √© que eu vou deixar o Estado sem policial? E o resultado est√° a√≠. Redu√ß√£o de 21%, em m√©dia, nos homic√≠dios no Paran√°. Londrina teve das maiores redu√ß√Ķes de homic√≠dios, at√© auxiliada l√° pelo helic√≥ptero que eu mandei para Londrina. O diagn√≥stico que eu li tr√™s domingos atr√°s, no jornal O Globo, foi que nos tr√™s principais Estados do Brasil a criminalidade aumentou. Aqui n√≥s reduzimos. E mais uma prova, se voc√™ acessar na Internet o site da Folha (de S.Paulo), o UOL, voc√™ vai ver l√° que o Paran√° √© dos Estados do Brasil que mais reduziu a d√≠vida, d√≠vida consolidada, de anos anteriores. Segundo est√° ali na Folha/UOL, n√≥s sa√≠mos de 89% de comprometimento da d√≠vida com a receita, de 89%, caiu para 55%. Isso representa um pagamento dessa d√≠vida, amortiza√ß√£o, de R$ 4,1 bilh√Ķes. Em muitos Estados aumentou a d√≠vida. N√≥s reduzimos. Com todos os investimentos que fizemos, ainda pagamos contas.


FOLHA - Estouro do limite de gasto com pessoal (imposto pela Lei de Responsabilidade Fiscal) e atraso no pagamento de fornecedores, porém, são fatos admitidos pela sua gestão. O governo estadual falhou neste ponto?

Beto Tivemos. N√£o tenho dificuldade de admitir alguns fatos at√© negativos que aconteceram, alheios √† minha vontade, porque peguei o Estado nesta condi√ß√£o, porque tivemos um forte bloqueio, discrimina√ß√£o em rela√ß√£o ao Paran√°, pelo governo federal. Santa Catarina, por exemplo, negociou eu digo negociou porque ainda n√£o recebeu tudo R$ 12 bilh√Ķes de empr√©stimos federais. E Santa Catarina tem a metade da nossa popula√ß√£o. Olha que crime eles fizeram com o Paran√°... Fosse o mesmo tratamento n√£o precisa ser melhor n√≥s ter√≠amos R$ 24 bilh√Ķes de empr√©stimos. Lutei que nem louco para ter a libera√ß√£o de R$ 800 milh√Ķes. Tive que, foram dois anos de di√°logo at√© perceber que estava sendo embarrigado, n√©, empurrado com a barriga. A√≠ eu recorri ao Supremo Tribunal Federal, que deu todas as liminares a favor do Paran√°, fazendo justi√ßa. A pen√ļltima imputava multa di√°ria de R$ 500 mil. Mesmo assim n√£o acataram. A√≠, orientados pela Procuradoria-Geral do Estado, pedimos a pris√£o do respons√°vel. Em dois dias saiu o dinheiro. Tudo isso causou dificuldades ao Estado. Falta de ajuda federal e at√©, voc√™s v√£o entrevistar a minha advers√°ria, eu vejo que todo dia ela muda a desculpa. "Ah, falta certid√£o". "N√£o, o Estado est√° com a sa√ļde financeira comprometida". "N√£o sei o qu√™". Enquanto v√°rios diagn√≥sticos de ve√≠culos de comunica√ß√£o nacional mostrando a sa√ļde financeira do Estado... N√≥s sempre estivemos entre os primeiros Estados do Brasil, e todos os Estados receberam. Ent√£o al√©m de tudo querem menosprezar a intelig√™ncia nossa. O brasileiro menos informado sabe que o Paran√° n√£o tem a pior situa√ß√£o do Pa√≠s. Ent√£o n√£o cola. Agora j√° √© outra desculpa. Uma hora √© limite prudencial, outra hora √© problema fiscal, outra hora √© problema de certid√Ķes, √© problema de d√≠vidas. Agora j√° √© outro problema. Oitocentos milh√Ķes √© muito pouco para eu ficar reclamando. Mas at√© por ser muito pouco mostra que houve extrema m√° vontade deles com o Paran√°.


FOLHA - Mas empréstimos do tipo são concedidos a programas e projetos, a investimentos em geral. Esse problema justifica o estouro com o limite prudencial, nos gastos com pessoal, e o atraso nas dívidas com fornecedores?

Beto Mas, gente, as obras est√£o em andamento. A 445 em Londrina, os recursos estavam previstos no Proinveste (Programa de Apoio ao Investimento dos Estados e Distrito Federal), e voc√™ sabe que temos l√° em torno de 60% das obras realizadas. Custou. Era dinheiro do empr√©stimo. Eu tive que tirar dinheiro do Estado. A Avenida Paran√°, em Foz do Igua√ßu, estava elencada no Proinveste. Eu tive que tirar dinheiro do Estado. A Rodovia da Uva, aqui em Colombo, estou tirando dinheiro do Estado. Estava no Proinveste, liberaram agora o dinheiro para mim. As obras n√£o pararam. Em alguns momentos, confesso, eu reduzi o ritmo das obras, por causa dos recursos que n√£o vinham. Eu contando que os recursos viriam, que eu n√£o teria essa discrimina√ß√£o, √© natural, fui fazendo as obras. S√£o obras urgentes, todas essas que eu estou falando. Duplica√ß√£o de Maring√° a Pai√ßandu, uma bela duma obra, uma obra bel√≠ssima. Isso tudo gerou dificuldades. E o limite prudencial de gastos, eu volto a insistir, 17 mil professores, dez mil policiais, criamos a Defensoria P√ļblica que n√£o existia, aumentamos o quadro da Emater, que estava precar√≠ssimo todos os produtores rurais reclamando da falta de t√©cnicos, e a agricultura √© a base da nossa economia Adapar que eu criei Paran√° voltou a exportar carnes tudo isso gerou dificuldades. E outra coisa, gente: que √© muito f√°cil de se entender. O limite prudencial nada mais √© do que o comprometimento da folha em rela√ß√£o √† receita. Se a receita caiu, aumenta o percentual de comprometimento. E eu n√£o posso nem demitir. S√£o concursados. Eles t√™m estabilidade. Foi isso que aconteceu: a situa√ß√£o se agravou pela redu√ß√£o da receita. E hoje todas as administra√ß√Ķes est√£o cada vez mais concentrando recursos. √Č extravagante a concentra√ß√£o em Bras√≠lia. Eles querem Estados e munic√≠pios fragilizados, de pires na m√£o, dependentes do poder central. √Č o que est√° acontecendo hoje. Ent√£o, eu n√£o passei do limite prudencial. Eu entrei no limite prudencial. √Č uma luz amarela, onde o Tribunal avisa as administra√ß√Ķes, pela Lei de Responsabilidade Fiscal: "Olha, voc√™ est√° no limite. Voc√™ n√£o pode mais contratar ningu√©m". Foi s√≥ o que aconteceu. Mas n√£o √© por m√° gest√£o, n√£o √© por desvio de dinheiro, n√£o √© por corrup√ß√£o. √Č por fazer o melhor pelo Estado e reestruturar o Estado para bem servir a popula√ß√£o. N√£o passamos do limite. Entramos e j√° sa√≠mos.


FOLHA O senhor citou a quest√£o da Defensoria P√ļblica. O Paran√° foi o pen√ļltimo Estado a implementar o √≥rg√£o. E, apesar da realiza√ß√£o do concurso p√ļblico, ainda h√° muitos profissionais aguardando nomea√ß√£o. Al√©m disso, recentemente houve o veto, mantido pela Assembleia Legislativa, de um artigo da Lei de Diretrizes Or√ßament√°rias, que deixa a entidade sem or√ßamento, ao menos garantido no papel, para o ano que vem. Qual a sua an√°lise da situa√ß√£o da entidade, hoje?


Beto O or√ßamento da Defensoria √© R$ 47 milh√Ķes. Querem R$ 180 milh√Ķes? N√≥s n√£o estamos na Su√≠√ßa. N√£o tem esse dinheiro. Vetei mesmo. N√£o tem nem de onde tirar R$ 180 milh√Ķes para a Defensoria, nesse momento. Criamos a estrutura e vamos avan√ßando com o tempo, at√© porque as receitas, como eu disse h√° pouco, no Brasil inteiro ca√≠ram. E pelas an√°lises que n√≥s temos visto a√≠ de especialistas econ√īmicos, de ag√™ncias de risco, a tend√™ncia √© piorar. N√≥s temos que nos preparar para uma situa√ß√£o pior, inclusive no ano que vem infla√ß√£o, todas essas tarifas que est√£o represadas por causa do per√≠odo eleitoral, tarifas federais que devem ser reajustadas no ano que vem, infla√ß√£o, diminui√ß√£o de atividade econ√īmica... Ent√£o n√£o tem como dar um or√ßamento nesse porte que eles querem. Eu vetei.


FOLHA - Uma das primeiras decis√Ķes do seu mandato foi suspender o tr√Ęmite das a√ß√Ķes contra as concession√°rias de rodovias em nome de uma reabertura no di√°logo entre Estado e empresas. Na √©poca, se falou na busca por obras e at√© por uma redu√ß√£o na tarifa do ped√°gio. Quase quatro anos depois, n√£o h√° sinaliza√ß√£o qualquer de redu√ß√£o dos pre√ßos e h√° possibilidade de cria√ß√£o de novos ped√°gios em alguns trechos. Que avalia√ß√£o que o senhor faz do resultado da negocia√ß√£o com as empresas? E houve aditivo contratual n√£o publicado, dos contratos de ped√°gio, conforme aponta o Minist√©rio P√ļblico Federal?

Beto Nenhum. Tudo √© com a maior transpar√™ncia. V√°rias entidades de setores produtivos do Paran√° vieram aqui pedir explica√ß√Ķes e eu abri tudo para eles. Disse "podem ver, vou pedir aqui as explica√ß√Ķes do secret√°rio, do diretor-geral do DER (Departamento de Estradas e Rodagem), explicar tudo para voc√™s, mostrar as planilhas, mostrar os contratos, e voc√™s fiquem √† vontade para perguntar o que quiserem". Os contratos n√£o fui eu que fiz. Foram dois governos atr√°s. E o anterior prometeu em campanha foi um grande estelionato eleitoral, ali√°s, mais um, al√©m do Ferreirinha que se fosse eleito ia baixar ou acabar com o ped√°gio no Paran√°. Nem uma coisa nem outra. No per√≠odo anterior, o ped√°gio dobrou a tarifa, no per√≠odo anterior foi implantada mais uma pra√ßa na Lapa, e nenhuma obra, nenhum investimento aconteceu. Ent√£o foi uma engana√ß√£o. E eu falei em campanha, fiz um discurso diferente dos meus advers√°rios. Na campanha despolitizei o assunto, para trat√°-lo com a responsabilidade que merece. Criamos a Agepar, a Ag√™ncia Reguladora do Estado. E o que aconteceu? O resultado est√° a√≠: retomamos obras neste Anel de Integra√ß√£o em praticamente todas as regi√Ķes do Paran√°. E mais uma vez o ex-governador mente, descaradamente, mais uma vez, √© useiro e vezeiro em mentir, que eu tinha retirado as a√ß√Ķes dos ped√°gios. Todas est√£o tramitando. N√£o retirei nenhuma.


FOLHA Mas suspendeu por seis meses no início do governo...

Beto - Sim. Para negociação. E retomamos. Não tirei nenhuma.


FOLHA E por que a tarifa n√£o baixou?

Beto Eu n√£o disse que ia baixar. Eu disse que ia me esfor√ßar para tentar reduzir a tarifa do ped√°gio. N√£o consegui. Mas nunca enganei, n√£o afirmei na campanha que ia baixar a qualquer custo. Ia me esfor√ßar para baixar, ia chamar as concession√°rias para uma conversa, fazendo prevalecer o interesse p√ļblico. Agora, nas novas obras que foram realizadas, e n√£o s√£o poucas, de duplica√ß√£o citei todas, eu acho: a Rodovia do Caf√© est√° em obras, estive agora em Apucarana, bel√≠ssima obra Apucarana-Mandaguari, inauguramos agora, h√° cerca de dois meses, o contorno rodovi√°rio de Campo Largo, na chegada √† capital, Medianeira-Matel√Ęndia, agora o esfor√ßo, a negocia√ß√£o para levar at√© Cascavel e de Cascavel, do trevo Cataratas, em dire√ß√£o ao trevo S√£o Jo√£o, Rodovia do Caf√©, uma bela obra que est√° em andamento, execu√ß√£o, duplica√ß√£o Floresta at√© Campo Mour√£o, e as outras √© PPP, l√° no Noroeste, a 323, de Maring√° at√© Francisco Alves, e para o pr√≥ximo governo tamb√©m vai ficar a duplica√ß√£o de Jaguaria√≠va at√© Santo Ant√īnio da Platina, em negocia√ß√£o com a concession√°ria ligar at√© Ourinhos, divisa com o Estado de S√£o Paulo. Ent√£o, s√£o muitas obras. E a retomada dos investimentos aconteceu. Segundo a pr√≥pria pesquisa de um jornal de Curitiba, a popula√ß√£o estava mais preocupada com a retomada das obras do que com a tarifa. Um percentual muito maior. N√£o que n√£o estejam preocupados com a tarifa, que eu concordo, √© car√≠ssima a tarifa praticada no Estado do Paran√°. Agora eu pergunto a voc√™s: imagina se o Marcelo Almeida fosse o meu candidato a senador, o que eu n√£o estava ouvindo hoje, o maior dono de ped√°gio do Brasil?


FOLHA - No seu plano de governo deste ano, o senhor deixa claro que continuar√° investindo em Parcerias P√ļblico-Privadas (PPPs) e que definir√° prioridades para a implanta√ß√£o de uma rede integrada de log√≠stica abrangendo todos os modais no Estado, num horizonte m√≠nimo de 10 anos. O senhor acredita que esse √© mesmo o melhor modelo?

Beto Hoje, comprovadamente, o maior gargalo cr√≠tico no Brasil, que atravanca o desenvolvimento, √© a falta de investimento em infraestrutura de transporte e de log√≠stica. Para cuidar do futuro do Paran√°, para que o Estado esteja em melhores condi√ß√Ķes para atrair investimentos porque hoje n√≥s vivemos o maior ciclo industrial da nossa hist√≥ria e 75% dos novos investimentos do nosso governo atrav√©s do Paran√° Competitivo est√£o localizados em munic√≠pios do interior. Estradas, log√≠stica, s√£o fundamentais para esse investimento rigoroso de forma homog√™nea em todo o Estado do Paran√°. As grandes obras de infraestrutura, que s√£o vitais, s√£o estrat√©gicas para o desenvolvimento de um Estado, uma regi√£o, s√£o car√≠ssimas, e todos hoje est√£o lan√ßando m√£o da Parceria P√ļblico-Privada. S√£o investimentos privados para conseguir atender √† demanda de uma popula√ß√£o. O pr√≥prio governo federal, que tanto criticava as concess√Ķes, as parcerias, hoje usa e abusa deste modelo. S√≥ para dar um exemplo: n√≥s fomos t√£o zelosos, e posso dizer competentes, na elabora√ß√£o dessas parcerias, que a maior reivindica√ß√£o que eu recebi, quando eu assumi o governo, foi l√° no Noroeste, a duplica√ß√£o da 323. Sobrecarregada, acidentes quase que di√°rios, v√≠timas fatais... Me pediram que adotasse o modelo que fosse, mas eles queriam discutir. E n√≥s discutimos, de forma transparente, democr√°tica, com a popula√ß√£o de todo o Noroeste. Fizemos duas audi√™ncias p√ļblicas, e n√£o tem obriga√ß√£o legal de fazer. Duas audi√™ncias p√ļblicas para a elabora√ß√£o do projeto. E depois de conclu√≠do, conversamos de novo. N√£o tivemos um problema. At√© os advers√°rios, os petistas, que criticavam o tempo todo a sistem√°tica, n√£o tiveram coragem de se contrapor na audi√™ncia p√ļblica √† proposta do governo. Lideran√ßas religiosas, comunit√°rias, empresariais, lideran√ßas pol√≠ticas. Unanimidade, o projeto apresentado pelo nosso governo. E a tarifa praticada, na licita√ß√£o que houve, concorr√™ncia nacional, vai ser de R$ 3,90. Vai ser a tarifa mais barata do Brasil e, pode anotar a√≠: esse projeto rodovi√°rio vai ser dos melhores, sen√£o o melhor do Pa√≠s: duplica√ß√£o, em 220 quil√īmetros, prev√™ 41 viadutos e trincheiras... N√£o ter√° uma √ļnica cidade que n√£o ter√° a passagem em desn√≠vel um viaduto e uma trincheira. Pistas marginais, passarelas, ciclovias... √Č um bel√≠ssimo projeto. E a popula√ß√£o aceitou de pronto, aprovou a proposta do nosso governo. Ent√£o, tem PPPs e PPPs. Essa tarifa vai ser baixa, praticada, e √© um projeto de muita qualidade. E, com absoluta transpar√™ncia. Com esses quesitos, a popula√ß√£o aceita.


FOLHA - Qual a sua opinião sobre o financiamento de grandes empresas em relação às campanhas eleitorais? Doador de campanha não cobra a conta depois?

Beto - Eu sou a favor do financiamento p√ļblico de campanha. Num primeiro momento a popula√ß√£o √© contra at√©. "N√£o, vai botar dinheiro p√ļblico em campanha...". V√™ com maus olhos. Mas acaba sendo mais barato para o Pa√≠s. Eu concordo com voc√™. Em muitos casos, n√£o √© o meu, h√° o comprometimento. O que eu falei anteriormente: na √Ęnsia de conquistar o voto do eleitor, promete tudo, na √Ęnsia de ter financiamento de campanha, e a gente sabe que recurso de campanha faz alguma diferen√ßa, tamb√©m acaba prometendo tudo para o empres√°rio. "Olha, voc√™ me d√° aqui que eu retribuo ali". Isso comigo n√£o acontece. "O que ele ganha te financiando?". Ganha um Estado melhor.


FOLHA - Partido político que dá apoio na eleição também não pede uma contrapartida no governo?

Beto Olha, eu acabo abrindo espa√ßos para compartilharmos a gest√£o. Mas todos sabem que as pessoas t√™m que ser qualificadas. E eu n√£o tenho a presun√ß√£o de achar que s√≥ o meu partido tem pessoas competentes. Tem em outros partidos tamb√©m. Tem bons e maus pol√≠ticos em todo lugar. S√≥ que em alguns partidos o n√ļmero de maus pol√≠ticos por metro quadrado √© muito maior, n√©? √Č quase que totalmente ocupado. N√£o √© o nosso caso. Ent√£o n√£o tenho dificuldade em trazer uma ou outra pessoa de um partido. Mas eu escolho e sou criterioso na escolha. N√£o teve desempenho conforme as minhas expectativas, eu troco, eu desligo. E al√©m de tudo, volto a insistir: assinam comigo contratos de gest√£o. √Č uma pr√°tica moderna que vem da administra√ß√£o privada, de muito sucesso. O desempenho acaba acontecendo. N√£o fa√ßo barganha. Depois de eleito a gente conversa. Sem loteamento.


FOLHA - Numa eventual vitória do principal adversário do PSDB na esfera nacional, o PT de Dilma Rousseff, como será sua relação com o governo federal, caso reeleito?

Beto Eu espero que seja boa, como sempre da minha parte, sempre busquei o melhor entendimento, a rela√ß√£o republicana, cumprimos com a nossa obriga√ß√£o. O povo n√£o nos elegeu para ficar brigando. N√£o nos elegeu para a gente ficar a√≠ perdendo tempo, desperdi√ßando energia, tentando desmerecer o outro o tempo todo. A administra√ß√£o ocupa um tempo t√£o grande da gente que se for ficar pensando o tempo todo em brigas acaba te prejudicando. Eu n√£o busquei esse caminho; me colocaram nessa situa√ß√£o, bloqueando os recursos do Estado. E a√≠ eu tive que reagir. √Č minha obriga√ß√£o defender os interesses do Paran√° e dos paranaenses. E pelo meu Estado eu brigo, se for preciso. Agora, com o Lula, por exemplo, tive um bom entendimento. S√≥ que nessa gest√£o tivemos tr√™s ministros paranaenses, que n√£o tiveram um entendimento republicano, n√£o cumpriram com as suas obriga√ß√Ķes com o nosso Estado. Todos os Estados defendem a√≠ a indica√ß√£o de ministros, j√° imaginando que por ser daquele Estado, ele vai privilegiar o seu Estado, antes dos outros. E aqui foi o contr√°rio. Porta fechada o tempo todo. E vou dizer mais para voc√™s, coisa que eu n√£o relatei ainda. Em muitos minist√©rios, onde n√≥s fomos, t√©cnicos diziam "N√≥s estamos fazendo o poss√≠vel, mas n√£o depende da gente. A decis√£o √© pol√≠tica". Teve o problema do (Jos√© Alberto de Freitas) Iegas tamb√©m, gente. Doze Estados brasileiros t√™m secret√°rios de seguran√ßa agentes, delegados da Pol√≠cia Federal. Para mim foi negado. Eu j√° tinha convidado, o Iegas j√° estava anunciando, j√° t√≠nhamos marcado a data e a hora da posse. A√≠ ordens superiores bloquearam a vinda do Iegas para o Paran√°, que √© um delegado daqui, muito conceituado, com extraordin√°rio desempenho e atua√ß√£o por todas as cidades do Paran√° por onde passou. Muito s√©rio. E me negaram.


FOLHA O Tribunal de Contas tem alertado para o deficit na Paranaprevidência. O que está previsto no seu plano de governo para tentar solucionar o problema? Há alguma possibilidade de cobrança dos inativos?

Beto Olha, o nosso governo est√° cumprindo com tudo. N√≥s estamos depositando todas as contribui√ß√Ķes, aprovamos uma lei na Assembleia, inovadora, que ampliou inclusive os investimentos do Estado na Paranaprevid√™ncia. Quem n√£o investiu nas suas contribui√ß√Ķes foi o governo anterior. Eles sim deram explica√ß√Ķes, t√™m notifica√ß√Ķes do Tribunal de Contas. No nosso governo j√° est√° regularizada a situa√ß√£o da Paranaprevid√™ncia. Tem, inclusive, acho que R$ 7 bilh√Ķes no fundo da Paranaprevid√™ncia.


FOLHA - Durante seu atual mandato, o senhor endossou dois de seus ex-secret√°rios, Durval Amaral e Ivan Bonilha, para um cargo de conselheiro do Tribunal de Contas. Tais nomea√ß√Ķes pol√≠ticas para um √≥rg√£o t√©cnico est√£o sendo cada vez mais questionadas, a ponto de existirem hoje propostas de mudan√ßas nas Constitui√ß√Ķes Federal e Estadual. O senhor concorda que apenas t√©cnicos sejam respons√°veis pelas an√°lises das contas? Apoiaria uma proposta neste sentido?

Beto Essas duas vagas s√£o da Assembleia, n√£o s√£o minhas. S√£o da Assembleia. O Ivan Bonilha, por exemplo, √© o primeiro conselheiro do Tribunal de Contas funcion√°rio de carreira. Muito competente, me orgulho de ter nomeado esses dois. Mas foram aprovados na Assembleia. √Č vaga na Assembleia. O Durval Amaral teve 100% dos votos da Assembleia. At√© os deputados do PT votaram nele. Ningu√©m falhou. Eu s√≥ vim aqui e nomeei, s√≥ referendei o que foi decidido na Assembleia Legislativa.


FOLHA Mas o senhor concorda com essa forma de escolha, com a eleição por parte da Assembleia Legislativa?

Beto Pode ser alterada, mas essa quest√£o √© constitucional. Vem da Constitui√ß√£o Federal. N√≥s s√≥ cumprimos a lei. Se houver alguma outra proposta, que contribua para avan√ßar com a democracia, para buscar mais transpar√™ncia, pessoas mais qualificadas, eu sou sempre a favor, da gente avan√ßar e buscar os melhores instrumentos para cada vez mais termos na vida p√ļblica servi√ßos mais eficientes. N√£o tenho problema algum. Mas a lei √© essa e n√£o fui eu que fiz.


FOLHA A OAB alertou sobre o uso de dep√≥sitos judiciais n√£o tribut√°rios por parte do governo do Paran√°. A Secretaria da Fazenda fez ent√£o uma varredura e reconheceu o uso irregular de R$ 365 mil. Meses depois, por√©m, a OAB divulgou que o governo estadual contabilizou para o pr√≥prio caixa R$ 34 milh√Ķes de dep√≥sitos judiciais n√£o tribut√°rios, em dados atualizados. Como explicar isso?

Beto Foi um erro que foi involunt√°rio, at√© porque a lei existe. N√≥s temos 48 horas para devolu√ß√£o, para o estorno deste saque. Agora, tudo foi feito em comum acordo com o Tribunal de Justi√ßa e com a Caixa Econ√īmica Federal. Ent√£o, ali, na confus√£o dos dep√≥sitos porque √© dif√≠cil voc√™ identificar ali na hora quais s√£o os dep√≥sitos acabaram vindo neste saque dos tribut√°rios alguns particulares. E j√° est√° sendo tudo regularizado. Inclusive teve uma rea√ß√£o da OAB. Eu pessoalmente conversei com o presidente da OAB, o Juliano Breda. Ele entendeu na hora que nunca houve m√°-f√© em rela√ß√£o a isso, at√© porque √© ilegal, √© flagrantemente ilegal. Ent√£o, foi um equ√≠voco cometido pelo Tribunal de Justi√ßa, pelo governo e pela Caixa Econ√īmica Federal, que autoriza o saque. Tudo j√° est√° sendo equacionado, acho que j√° foi devolvido integralmente. Houve um erro involunt√°rio.


FOLHA - Durante o seu mandato, houve a compra de um avi√£o, em uso compartilhado com a Copel, para deslocamentos do chefe do Executivo. Hoje, no Portal da Transpar√™ncia, n√£o h√° informa√ß√Ķes sobre o uso da aeronave (destinos, compromissos, gastos e tripula√ß√£o). Por que a decis√£o em n√£o divulgar tais informa√ß√Ķes?

Beto Deve ter. O Portal da Transparência é para tudo isso.


FOLHA Os planos de voo n√£o s√£o publicados...

Beto - Bom, mas o avi√£o da Copel √© uma necessidade. A Copel antes estava sufocada por uma linha de governo ideol√≥gica e fundamentalista. N√£o podia fazer parceria com a iniciativa privada. Ent√£o ela acabou sendo sufocada. E hoje a Copel est√° expandindo seus neg√≥cios, investimentos, se fortalecendo para ajudar no desenvolvimento do Estado. E √© necess√°rio. H√° muitos deslocamentos da diretoria da Copel. Eu mesmo n√£o sei se usei duas, talvez tr√™s vezes esse avi√£o ao longo de todo esse per√≠odo. Agora, se voc√™ for l√° em Belo Horizonte, no aeroporto, vai ver um hangar da Cemig (Companhia Energ√©tica de Minas Gerais), com v√°rios avi√Ķes e v√°rios helic√≥pteros. E a Copel √© uma empresa que est√° se expandindo no setor el√©trico. √Č considerada das melhores companhias do Brasil. O avi√£o √© necess√°rio para garantir agilidade da diretoria da Copel. Eu usei tr√™s vezes o avi√£o. Ent√£o n√£o era para mim, n√£o foi comprado para me servir. A Sesp (Secretaria de Estado da Seguran√ßa P√ļblica) deve ter avi√Ķes tamb√©m. Mas a Cemig eu vi l√°, tem um hangar.

Mariana Franco Ramos e Roger Pereira

Reportagem Local

Fonte: Folha de Londrina - FolhaWeb
  Fonte: http://www.abradee.com.br/
  Data de PublicaÁ„o: 03/09/2014
 
 

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